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#Verificamos: São falsos tuítes de Mourão sobre reunião com Forças Armadas e ação enérgica contra o STF

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
08.nov.2019 | 17h00 |

Circulam pelas redes sociais posts atribuídos ao vice-presidente da República, general Hamilton Mourão. Nele, o general afirma que o presidente Jair Bolsonaro, o alto comando das Forças Armadas e “grandes empresários” se reuniram na última quinta-feira (07) para debater “um novo AI-5”. Esse ato foi decretado em dezembro de 1968 e marcou o início do período mais duro da ditadura militar no Brasil. Em outro, ele sugere “ações enérgicas” contra o STF. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da ​Lupa​:

“Boa noite a todos os Brasileiros, estamos nos reunindo nesse exato momento, o PR Jair Bolsonaro, o alto comando das Forças Armadas e os grandes empresários, assunto: um novo AI5. é chegada a hora de tomar uma atitude!”
Tuíte atribuído ao general Hamilton Mourão em post no Facebook que, até as 15h de 8 de novembro de 2019, tinha mais de 600 retuítes

FALSO

O tuíte analisado pela Lupa não foi feito pelo vice-presidente Hamilton Mourão. Na imagem, é possível ver que o endereço da conta que publicou o texto é @iagoIV. O perfil oficial do vice-presidente é @GeneralMourao

Na última quinta-feira (07), data na qual o tuíte teria sido publicado pelo vice-presidente, Mourão publicou apenas um post no Twitter. Ele escreveu sobre sua visita à Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, na Vila Militar, no Rio de Janeiro, onde conversou com capitães do Exército sobre “os desafios do desenvolvimento brasileiro e a preparação dos Oficiais para os novos desafios de nossa Nação”. Segundo o Projeto 7c0, que monitora tuítes apagados por autoridades, não houve nenhuma mensagem apagada pelo vice-presidente desde quinta-feira.

A agenda oficial do presidente mostra que, na quinta-feira, Bolsonaro se encontrou com senadores, com o ministro de Estado das Relações Exteriores, Ernesto Araújo e o ministro de Estado de Minas e Energia, Bento Albuquerque. Além disso, o presidente também se reuniu com Maria Joseíta Silva Brilhante Ustra, viúva do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos mais conhecidos torturadores da ditadura militar. 

A agenda do vice-presidente, por sua vez, mostra que Mourão foi à Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e se encontrou com professoras da Faculdade de Direito da Universidade de Passo Fundo

No final do mês passado, o deputado federal Eduardo Bolsonaro defendeu, em entrevista, um “novo AI-5” como forma de resposta para manifestações de rua como as que estavam acontecendo no Chile. “Se a esquerda radicalizar a esse ponto, vamos precisar dar uma resposta. E essa resposta pode ser via um novo AI-5, pode ser via uma legislação aprovada via plebiscito, como ocorreu na Itália”, disse o parlamentar.  

Na época, Jair Bolsonaro disse que quem fala sobre AI-5 está “sonhando” e que se o filho falou sobre a possibilidade de um novo ato, ele lamentava. 


“O exército brasileiro sempre prezou pela manutenção da democracia, valor que rege nossa sociedade e a harmonia entre os poderes. Entretanto, quando um dos poderes extrapola, colocando em risco o bem comum, algo enérgico deve ser feito. Fiquem calmos, mais informações em breve”
Tuíte atribuído ao general Hamilton Mourão em post no Facebook que, até as 15h de 8 de novembro de 2019, tinha mais de 400 retuítes

FALSO

O general Hamilton Mourão não escreveu o tuíte analisado pela Lupa. Como dissemos na checagem anterior, a conta oficial do vice-presidente no Twitter é @GeneralMourao e a foto mostra que a publicação foi escrita pelo perfil @iagoIV. No perfil do general, é possível ver que ele não escreveu sobre o exército brasileiro na última quinta-feira (07). Além disso, o Projeto 7c0 também aponta que não houve nenhuma mensagem apagada por Mourão desde então.

Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook

Editado por: Chico Marés

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