Circula pelas redes sociais um vídeo que mostra uma pessoa abrindo um pacote de bolo industrializado e mostrando que o alimento vem com dois comprimidos. Segundo a legenda que acompanha as imagens, esse produto chegou ao Brasil e tem pílulas que causam “paralisia”. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:
“Esse biscoito turco tem 2 comprimidos que causam paralisa (sic) já chegou ao Brasil não comprem e espalhem essa mensagem”
Imagem publicada no Facebook que, até as 18h de 21 de novembro de 2019, tinha mais de 400 compartilhamentos
O vídeo analisado pela Lupa não foi feito no Brasil e o produto não é comercializado no país. Os bolos de coco mostrados nas imagens são vendidos apenas no Iraque pela empresa turca Şölen. Segundo o site turco de verificação de fatos Teyit, o idioma falado no final vídeo é sorani, dialeto da língua curda falado em regiões do Curdistão iraquiano.
Também é falso que o biscoito tenha sido vendido com comprimidos. O site turco de verificação de fatos Teyit investigou o vídeo e concluiu que as pílulas foram inseridas após o bolo estar pronto. Segundo os checadores, caso elas fossem adicionadas antes do processo de cozimento, teriam derretido ou ficado deformadas. O site também mostra que a barra tinha furos, que podem ter sido utilizados para introduzir os comprimidos no bolo.
A agência de checagem Snopes, por sua vez, recebeu documentos (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) da empresa Şölen comprovando a qualidade e segurança de seus produtos. A auditoria, realizada pela empresa suíça SGS, informa que, durante o processo de produção, é impossível inserir um objeto estranho do tamanho de um comprimido em um bolinho. Segundo o relatório, todos os ingredientes usados na produção do alimento passam por um filtro que bloqueia a passagem de qualquer substância sólida maior do que 0,7 milímetro de diâmetro.
Esse vídeo circulou nos Estados Unidos, na Turquia e no México, tendo sido checado por plataformas de checagem desses locais: Snopes, Teyit e Diario de Mexico. No Brasil, os sites Aos Fatos, Boatos.org e e-Farsas também verificaram o conteúdo.
Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook