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#Verificamos: É falso que Pepsi admitiu usar células de fetos abortados em refrigerantes

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
06.dez.2019 | 12h18 |

Circula pelas redes sociais um post com a afirmação de que a multinacional PepsiCo, dona da marca de refrigerantes Pepsi, declarou que não vai mais usar células de embriões humanos na composição das suas bebidas. Isso mostraria que a adoção de ingredientes com essa origem ocorreu no passado. A “prova” seria uma resposta da companhia no Twitter, dizendo ter encerrado sua relação comercial com a Senomyx, empresa de biotecnologia americana que desenvolve produtos com culturas de células. 

A acusação contra a Pepsi foi feita no passado por entidades contra o aborto e pelo filósofo Olavo de Carvalho, guru do presidente Jair Bolsonaro. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da ​Lupa​:

“Hoje a Pepsi declarou publicamente que não usará mais ingredientes ou produtos derivados de fetos humanos em seus produtos”

Texto de post no Facebook que, até as 16h de 5 de dezembro de 2019, tinha 197 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Ao publicar o post no Twitter no dia 2 de dezembro, a PepsiCo repetiu seu posicionamento oficial sobre o caso. A multinacional afirmou que não tem mais qualquer relação comercial com a Senomyx e não realiza ou financia pesquisas feitas com tecido humano ou culturas de células derivadas de embriões. O texto foi uma resposta a um usuário da rede social, que acusou a PepsiCo de usar fetos abortados em produtos de baixa caloria, “como a Sprite”. Em nota enviada por e-mail à Lupa, a PepsiCo afirmou novamente que “não conduz, financia ou patrocina pesquisas sobre tecido humano ou derivada de embriões ou fetos para nenhuma de suas marcas”.

O problema começou em 2011, quando o grupo contra o aborto Children of God for Life revelou a existência de um contrato entre a PepsiCo e a Senomyx. A empresa de biotecnologia, localizada em San Diego, nos Estados Unidos, desenvolve novos sabores e fragrâncias para companhias de alimentos, bebidas, perfumes e produtos de limpeza. Uma das maneiras adotadas para isso é uma técnica que testa essas criações com uma cultura de células do tipo HEK-293.

A entidade pró-vida chegou a iniciar um boicote aos produtos da PepsiCo. Em 2012, desistiu da ideia ao receber uma resposta oficial da companhia, que garantiu não pesquisar ou financiar estudos que utilizam tecidos humanos ou culturas de células derivadas de embriões ou fetos. O texto da mensagem, na época, é bastante similar ao posicionamento publicado recentemente no Twitter. A PepsiCo informou ainda que a Senomyx não usava células HEK ou quaisquer outros tecidos ou culturas de células derivadas de embriões humanos e fetos em pesquisas relacionadas à companhia.

As culturas HEK-293 provocam polêmica porque essas células foram extraídas do rim de um feto abortado legalmente na Holanda em 1973. Elas foram colhidas e cultivadas em laboratório por Alex van der Eb e se tornaram fonte de pesquisa em diversas áreas. Embora tenham se originado em um embrião, as células sofreram modificações e multiplicaram-se por mais de 45 anos, em diferentes partes do mundo – logo, é falso dizer que suas versões recentes ainda são parte de um feto humano. As células originais não existem mais.

Estudos com culturas de células são comuns na ciência. A linhagem mais usada no mundo é a HeLa, que veio de um tumor na coluna cervical de Henrietta Lacks, morta em 1951, aos 31 anos. Sua história é contada no livro A Vida Imortal de Henriretta Lacks, de Rebecca Skloot (Companhia das Letras, 2011).

Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook

Editado por: Natália Leal

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