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Capas, diplomas e tuítes: as fakes que circularam sobre os ministros de Bolsonaro

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
26.dez.2019 | 07h39 |

Os ministros escalados pelo presidente Jair Bolsonaro para integrar o governo federal estiveram no alvo de quem cria e distribui desinformação em 2019. O ex-juiz Sérgio Moro, atual titular da pasta da Justiça e Segurança Pública é o mais atingido. Das 24 informações falsas sobre ministros esclarecidas pela Lupa neste último ano, 11 eram sobre Moro.

A primeira delas estava relacionada à onda de ataques no Ceará no início de janeiro. Na época, circulou pelas redes sociais que Moro mandou retirar todas as tomadas de celas de presídios no país. Contudo, essa determinação foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Ceará já em 12 de janeiro, dentro de um pacote de medidas de combate ao crime organizado apresentado um dia antes pelo governador Camilo Santana (PT). Sendo assim, a proposta não tinha qualquer relação com Moro e não vale para todo o Brasil.  

Outra desinformação envolvendo o ministro surgiu quando o site The Intercept Brasil divulgou uma série de mensagens privadas trocadas entre Moro e o procurador Deltan Dallagnol. No dia seguinte, uma imagem começou a circular pelas redes e mostrava um suposto diálogo entre entre os dois. Em uma parte do texto, eles teriam combinado a sentença do ex-presidente Lula. A Lupa procurou o The Intercept Brasil para saber se esse diálogo estava presente em alguma conversa privada entre Moro e Dallagnol. O próprio site confirmou que a conversa não era verdadeira

No mundo dos boatos, é comum encontrar capas falsas elogiando ou acusando políticos. O ministro Sérgio Moro foi alvo de duas montagens de capas da revista Veja em 2019. A primeira delas foi publicada em outubro e dizia que Moro “enganou milhões de brasileiros”, a segunda afirmava que o ex-juiz não deixou a polícia investigar o senador Aécio Neves, o ex-presidente Temer e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha. Em ambos os casos, a Lupa mostrou que as capas eram falsas e não tinham sido divulgadas pela revista (aqui e aqui). 

Os tuítes falsos atribuídos a Paulo Guedes

Elogiado pelo presidente Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, teve um total de seis boatos desmentidos pela Lupa. A maior parte das informações falsas relacionadas a ele são originadas em uma conta de Twitter falsa. Nas publicações deste perfil, o economista aparece criticando o jornalista Glenn Greenwald, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o vazamento de conversas de Moro e procuradores e o Congresso Nacional. Mas todos são falsos. Em todos os casos, o Ministério da Economia informou que o ministro não tem contas nas redes sociais. Assim, os tuítes não foram feitos por Guedes.

Ministro da Educação com título oficial de doutor?

Em abril de 2019, o presidente Jair Bolsonaro tuitou que o professor Abraham Weintraub iria substituir Ricardo Vélez como ministro da Educação. Ao descrever Weintraub, Bolsonaro disse que ele tinha um título de doutor. Contudo, a informação não condiz com o que está disponível no currículo Lattes de Weintraub nem com o que está oficialmente publicado em seu perfil de LinkedIn. A Lupa mostrou isso. O conteúdo equivocado passou, no entanto, a ser fartamente compartilhado no Facebook, tanto para elogiar quanto para criticar a decisão de Bolsonaro.

Ministra da Mulher, Família e Direitos Humano é alvo de desinformação

Em 2019, a Lupa verificou quatro informações falsas envolvendo a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves. Em fevereiro, um perfil no Twitter que se passava pela ministra discutiu com um militante de esquerda na rede. No entanto, a Lupa percebeu que o perfil oficial da ministra é @DamaresAlves, enquanto a conta da discussão é @DamareAlves, sem o “s”.

Em outro episódio, circulou pelas redes sociais que Damares cancelou o benefício pago a 2 mil anistiados políticos. Contudo, a informação era falsa. Embora a ministra tenha declarado que pretendia rever benefícios, nenhuma decisão havia sido tomada sobre o assunto até aquele momento.

Editado por: Natália Leal

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