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Áudio de “esposa de biólogo da Fiocruz” contém informações falsas sobre água distribuída pela Cedae 

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
15.jan.2020 | 15h19 |

Circula pelo Whatsapp um áudio de uma mulher que se apresenta como esposa de um biólogo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ela conta que a entidade foi proibida de falar o risco da água distribuída pela Cedae e faz recomendações de como a água deve ser utilizada. A Lupa verificou esse material. Veja o resultado:

“(…) Meu marido é biólogo da Fiocruz. A Fiocruz foi proibida de falar o risco que tá acontecendo na água do Rio de Janeiro, os noticiários estão anunciando 30% do risco. É muito mais grave do que a gente pode imaginar, tá bom? Água de filtro não funciona. O vírus passa. Tem que ferver a água. Vai escovar os dentes, escova com água fervida. Tomar banho, põe algodão nos ouvidos e que seja um banho rápido. Não beba água da torneira. A água está com vírus muito forte e eles estão colocando uma composição que é mais forte que o vírus pra matar o vírus e pode dar uma parada cardíaca em qualquer criança ou pessoas que têm arritmia (…)”
Áudio que circula pela Whatsapp desde o dia 14 de janeiro de 2019

FALSO

As informações presentes no áudio que circula pelo Whatsapp são falsas. Em nota publicada nesta quarta-feira (15), a Fiocruz explicou que esteve na Estação de Tratamento de Água do Guandu e observou que o local sofre com “vulnerabilidade decorrente da elevada poluição” do rio Guandu, que abastece a cidade. “Uma das possíveis consequências dessa degradação ambiental é a proliferação de algas, responsáveis pela produção de diversas substâncias, como a geosmina, que pode atribuir cheiro e sabor à água”, explica a fundação. A Fiocruz não mencionou a presença de vírus na água.

A Cedae também não falou sobre qualquer registro de que haja um vírus na água. Até o momento, a companhia confirmou, assim como a Fiocruz, a presença de geosmina na água distribuída. Nesta quarta-feira (15), a companhia prometeu que o problema será resolvido até a próxima semana. A UFRJ, que acompanha o caso, também não falou sobre a presença de vírus na água.

No áudio, uma mulher se apresenta como “esposa de um biólogo da Fiocruz” e diz que existe um vírus na água distribuída pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae). Contudo, até o momento, não há registro de que este seja o problema na água distribuída pela Cedae na cidade do Rio de Janeiro.

Desde o início do mês, moradores do Rio relatam que a água apresenta turbidez, odor diferente e gosto de terra. Uma reportagem do jornal O Globo informou que o problema já atingiu 69 bairros do município e seis da Baixada Fluminense. 

O áudio que circula pelo Whatsapp não foi a primeira informação falsa sobre a crise da água no Rio de Janeiro. Na última terça-feira (14), a Lupa desmentiu um post que informava que uma pessoa do “Departamento de Microbiologia” da Universidade Federal do Rio de Janeiro havia alertado sobre a água distribuída pela companhia estatal e informava que ela apresentava níveis inseguros de coliformes fecais. Outra informação incorreta dizia que a Cedae alertou moradores sobre os riscos do consumo de água.

Essa informação também foi verificada pelos sites Boatos.org, Fato ou Fake e Aos Fatos.

Editado por: Natália Leal e Chico Marés

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A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

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