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#Verificamos: É falso que advogada condenada por fraude no INSS nos anos 90 foi nomeada assessora na Cedae

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
12.fev.2020 | 19h27 |

Circula nas redes sociais que a advogada Jorgina de Freitas, condenada por desviar dinheiro do INSS nos anos 90, foi nomeada assessora do presidente da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae). Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da ​Lupa​:

“Para quem não lembra, essa é Jorgina de Freitas que foi condenada em 1992 por desviar 310 milhões do INSS. ISSO É BRASIL”
Texto da imagem publicada nas redes sociais que, até as 18h do dia 12 de fevereiro de 2020, tinha sido compartilhada por quase 4,7 mil pessoas 

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Esse boato já circula desde 2010, e foi desmentido em diversas ocasiões desde então. Não é possível encontrar o nome de Jorgina de Freitas na lista de empregados ativos da empresa Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), de janeiro deste ano.

A Cedae informou, em nota, que a advogada Jorgina de Freitas tampouco foi nomeada assessora do presidente da companhia depois da publicação desta lista. “Jorgina de Freitas não é funcionária da Cedae, tampouco exerce ou exerceu qualquer função na companhia ou em qualquer programa da empresa”, diz a nota

A advogada Jorgina de Freitas foi condenada pela Justiça pelo desvio de cerca de R$ 1,2 bilhão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em julho de 1992. Ela fugiu por cinco anos e, em 1997, se entregou à polícia da Costa Rica, onde estava escondida, para cumprir pena no Brasil. Jorgina saiu da prisão em 2010 e precisou ressarcir o INSS no valor de R$ 200 milhões. 

Esse boato já circula desde quando Jorgina deixou a prisão. Em 2010, o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, publicou essa falsa notícia em seu blog. Na época, o então presidente da empresa, Wagner Victer, desmentiu a informação. Em 2011, o jornalista Marcelo Tas compartilhou esse boato em sua página no Facebook, mas corrigiu a informação após ser alertado de que se tratava de um boato. Em 2013, essa informação falsa voltou a circular, e foi desmentida pelo site Boatos.org

Esse post voltou a circular no Facebook após a crise que se instalou na companhia neste ano. Desde o início de janeiro, habitantes do Rio de Janeiro relatam que a água distribuída pela Cedae apresenta uma cor marrom, cheiro desagradável e gosto de barro. Na última segunda-feira (10), o então presidente da Cedae, Hélio Cabral, foi demitido pelo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. 

Atualização feita às 17h40 do dia 13 de fevereiro de 2020: Anteriormente, a Lupa havia informado que a Ceda não divulgou o nome do substituto de Hélio Cabral. Contudo, na última quarta-feira (12), mesmo dia da publicação dessa checagem, Renato Lima do Espírito Santo assumiu o cargo como o novo presidente da companhia. 

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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