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#Verificamos: É falso que presença de palavra hifenizada em mensagem comprova falsificação da Folha

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
12.fev.2020 | 15h27 |

Circula nas redes sociais que um hífen em mensagem de WhatsApp publicada pela jornalista Patrícia Campos Mello provaria que capturas de tela da conversa entre ela e Hans River Rio do Nascimento são manipuladas. 

Nesta terça-feira (11), Nascimento, que foi fonte de uma matéria da Folha de S.Paulo sobre o disparo automatizado de mensagens no WhatsApp durante as eleições, depôs na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News. Na ocasião, ele fez acusações contra Campos Mello e a Folha. O jornal, por sua vez, publicou reportagem desmentindo ponto a ponto suas acusações, usando capturas de tela de conversas no WhatsApp e áudios trocados entre ele e a jornalista.

Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da ​Lupa​:

“Em um dos prints o whatsapp hifena uma palavra. Software nenhum na face da terra, mesmo desde os remotos tempos wordstar rodando em MS DOS 3.2., jamais hifenizou palavras se não se usar alinhamento justificado. @camposmello, você e sua  empresa são trambiqueiros e cafajestes”
Imagem publicada por Allan dos Santos que, até as 13h do dia 12 de dezembro, tinha sido compartilhada por mais de 10 mil pessoas

FALSO

Ao contrário do que diz o tuíte, versões mais antigas do sistema operacional Android, usado em smartphones, tiveram a separação automática de palavras por hífen como padrão. Isso mudou, uma vez que, segundo os próprios desenvolvedores do Android, 70% do tempo consumido no processo de exibição dos textos era gasto na análise dos lugares que deveriam ser hifenizados. Entretanto, desenvolvedores ainda podem religar essa função se desejarem.

Em 2015, engenheiros do Google incluíram a hifenização automática na versão Marshmallow (6.0) do Android, como uma forma de reduzir a quantidade de espaços em branco na tela. Nos celulares com o sistema, essa foi a configuração padrão. Isso continuou nas versões Nougat (7.0), Oreo (8.0) e Pie (9.0) do Android. Em 2019, eles decidiram retirar a hifenização automática do padrão no Android Q, rebatizado como Android 10. Com isso, essa característica se tornou opcional para os desenvolvedores de software.


“Mesmo texto, com o número de linhas menor”
Texto em imagem publicada no Twitter

FALSO

A discrepância no tamanho do texto em duas capturas de telas diferentes não prova absolutamente nada, uma vez que esses registros podem ter sido feitos em celulares de modelos distintos. A resolução de tela varia de acordo com o aparelho e, quanto mais alto for esse número, maior é a largura da linha usada na exibição de textos por um aplicativo.

Em vídeo publicado na manhã desta quarta-feira (12), Campos Mello mostrou dois celulares diferentes que, de acordo com ela, foram utilizados para fazer as capturas. Um deles, um Motorola G6, foi usado na época que as mensagens foram trocadas. Outro, um Motorola G8 Plus, é utilizado pela jornalista atualmente. De acordo com ela, algumas capturas de tela foram feitas na época, outras foram registradas recentemente. Por isso, houve essa discrepância. Veja aqui:

De acordo com os dados do site GSM Arena, a tela de 5,7 polegadas do Motorola G6 tem uma resolução de 1.080 por 2.160 pixels. Já o Motorola G8 Plus possui um visor maior, de 6,3 polegadas, com resolução de 1.080 por 2.280 pixels.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes

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Os dados são mais graves do que a informação
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A informação está comprovadamente incorreta
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