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#Verificamos: Caso da ‘sequestradora da seringa’ foi desmentido pela polícia do Pará há duas semanas

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
14.fev.2020 | 17h42 |

Circula nas redes sociais o retrato falado de uma suposta sequestradora de crianças que atuaria na região metropolitana de Belém, no Pará. A mulher teria tentado sequestrar sete crianças na capital do Pará e em cidades próximas. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da ​Lupa​:

“Essa é a bandida que está sequestrado (sic) crianças”
Legenda de imagem publicada no Facebook que, até as 16h30 do dia 14 de fevereiro, tinha sido compartilhada por mais de 500 pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Embora o retrato falado tenha sido produzido pela própria Polícia Civil do Pará, a instituição anunciou que as acusações não eram verdadeiras, no último dia 5 de fevereiro. Segundo o delegado geral, Alberto Teixeira, o retrato falado foi feito a partir de um relato de uma suposta vítima, mas ele não condiz com a realidade. A suposta sequestradora teria ameaçado mães com uma seringa cheia de sangue. 

Em 17 de janeiro, uma moradora do bairro do Marco, em Belém, registrou um boletim de ocorrência por causa de uma tentativa de sequestro. Ela disse ter sido abordada, enquanto caminhava com a filha, por uma mulher segurando uma seringa com um líquido vermelho.  Essa mulher exigiu que ela entregasse a filha, caso contrário a criança seria “infectada”. Com base nessa acusação, a Polícia Civil fez um retrato falado, divulgado em vários meios de comunicação do estado. Conforme as investigações avançaram, porém, a polícia concluiu que o caso não era verdadeiro. Há suspeita de que tenha sido uma tentativa de incriminar uma vizinha.

Outros seis registros semelhantes foram feitos até o dia 5 de fevereiro. Uma servidora pública chegou a ser confundida com a “sequestradora” e foi atacada por moradores da cidade de Ananindeua, na região metropolitana de Belém. 

A polícia encontrou inconsistências em todas as denúncias. Em uma delas por exemplo, uma criança de Ananindeua se machucou enquanto brincava na rua, e inventou a história para escapar de uma bronca dos pais. Em outro caso, as câmeras de segurança disponíveis no local não mostravam nem a denunciante nem a suposta sequestradora. O jornal O Liberal listou as inconsistências dos sete casos.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Natália Leal

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