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Álcool tira efeito do anticoncepcional? Dá ruim com antialérgico? Veja mitos e verdades sobre beber no Carnaval

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
22.fev.2020 | 07h01 |

Carnaval é época de se divertir nas ruas, nas quadras de escolas de samba, nos blocos e – por que não? – nos bares. Assim como a fantasia e o glitter, o álcool é um dos itens consumidos pelos foliões que decidem cair na gandaia. Com base no Google Trends, a Lupa analisou alguns dos termos e perguntas mais procurados sobre o álcool. Confira: 

“Álcool tira o efeito da pílula anticoncepcional”

FALSO

O álcool não anula os efeitos da pílula anticoncepcional. Essa informação foi confirmada – em entrevista por telefone – pela médica Ilza Monteiro, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Contudo, ela explica que o efeito do anticoncepcional depende de um comportamento específico (tomar a pílula todo dia no mesmo horário). Essa conduta pode sofrer alterações em períodos em que há consumo de álcool – pode-se variar muito o horário de tomar o medicamento ou até mesmo esquecer de fazê-lo, por exemplo.

A médica lembra, ainda, que caso a mulher vomite ou tenha uma diarréia exagerada quatro horas após tomar a pílula, é possível que os efeitos do anticoncepcional sejam diminuídos. Por essa razão, ela recomenda, nestes casos, repetir a dose da pílula, tomando a seguinte da mesma cartela. Outra opção é utilizar a camisinha por até 15 dias depois da falha na tomada do medicamentos, para evitar a gravidez. 

Vale lembrar que a camisinha é o único método contraceptivo que evita as infecções sexualmente transmissíveis (IST), sendo indispensável para um sexo seguro.   


“Mulheres que estão amamentando não podem beber”

EXAGERADO

As mamães que estão amamentando também podem curtir uma cerveja sem ter medo de afetar o bebê. Porém, não dá para “encher a cara”. A vice-presidente da Febrasgo, Ilza Monteiro, explicou, por telefone, que “na amamentação tudo depende de quantidade”, ou seja, está liberado beber uma cerveja. Contudo, a recomendação da especialista da Febrasgo é evitar consumir álcool em grande quantidade.     

Já mulheres que estão grávidas não devem consumir bebidas alcoólicas. Em seu site, a Febrasgo explica que beber durante a gestação pode levar a consequências irreversíveis para o feto, como a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), que provoca anomalias fetais que podem afetar o sistema nervoso, retardar o crescimento e prejudicar o desenvolvimento cognitivo e comportamental.  


Misturar álcool e antialérgico causa efeitos colaterais

VERDADEIRO

A ingestão de álcool em conjunto com o uso de medicamentos antialérgicos pode causar efeitos colaterais como sonolência excessiva, dificuldade na concentração e sedação. Essa informação foi confirmada por e-mail pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI). 

Segundo a ASBAI, os antialérgicos são divididos em dois grupos: os anti-histamínicos de “primeiro geração” e os anti-histamínicos de “segunda geração”. A diferença entre eles é que os de “primeiro geração” causam mais sonolência em seu uso frequente, algo que foi reduzido em medicamentos mais modernos. A entidade destaca que quando se mistura álcool com esses antialérgicos mais antigos, os efeitos de sonolência, dificuldade de concentração e sedação são mais expressivos.

A Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico (ABCFARMA) destaca que, em alguns casos, os sintomas podem ser mais extensos. “Algumas pessoas também podem sofrer confusão e prejuízo na capacidade de julgamento, bem como comprometimento na coordenação motora”. 

Por fim, o médico Drauzio Varella recomenda sempre olhar a bula do remédio para ver se existe a recomendação de não beber enquanto faz uso de um determinado medicamento. 

  


“Demora horas para o álcool sair completamente do organismo”

VERDADEIRO

Em um cenário de consumo constante de álcool por várias horas consecutivas, como costuma acontecer no Carnaval, a tendência é que o corpo demore várias horas para eliminá-lo por completo. O fígado, órgão responsável por metabolizar o álcool, tende a eliminar, em média, uma unidade de álcool – equivalente a uma lata de cerveja – por hora. Porém, quanto mais é consumido em um determinado período, mais tempo demora para que ele seja eliminado.

O tempo exato dessa eliminação depende de vários fatores. O tipo de bebida, por exemplo, influencia bastante: em bebidas mais concentradas, como cachaça ou uísque, o álcool é absorvido mais rápido, o que significa que a eliminação pode demorar mais. As características da pessoa que está bebendo, como o peso, o sexo biológico e a idade também influenciam no tempo de eliminação. Homens jovens e mais pesados, por exemplo, tendem a eliminar o álcool com mais rapidez do que mulheres mais velhas e mais leves. 

O Portal Terra lançou uma “calculadora do álcool” para medir “quanto tempo se leva para ficar sóbrio – ou seja, sem nada de álcool no sangue”. A ferramenta contou com a colaboração da  psiquiatra Carla Bicca, conselheira da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead) e da nutricionista Livia Hasegawa, de São Paulo. É possível conferir e calcular o seu tempo para ficar sóbrio clicando aqui

Por fim, vale pontuar que, mesmo após a eliminação da substância do organismo, alguns subprodutos podem ser detectados no corpo por mais tempo. No sangue, a presença de álcool pode continuar sendo detectada após seis horas, enquanto na saliva, na urina e na respiração, após 24 horas, em casos mais extremos. No cabelo, o álcool pode ser detectado até 90 dias depois do consumo.

Editado por: Chico Marés

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CONTRADITÓRIO
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Não há dados públicos que comprovem a informação
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