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Câncer de pele mata? Só ocorre por exposição ao sol? Veja mitos e verdades sobre a doença

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
05.mar.2020 | 17h25 |

O câncer de pele é o tipo de câncer mais frequente no Brasil. Em 2018, mais de 170 mil brasileiros foram diagnosticados com a doença. Usando o Instagram, a Lupa perguntou aos seus leitores quais suas principais dúvidas sobre esse assunto, e verificou essas informações, confira abaixo:

“O câncer de pele não é perigoso”

FALSO

O câncer de pele é o tipo de câncer mais frequente no Brasil e, se não tratado de forma adequada, pode resultar em metástases e levar a óbito. Segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), em 2017, 4.085 pessoas morreram em decorrência dessa doença. Ao todo, o dermatologista Elimar Gomes, coordenador nacional da campanha Dezembro Laranja, explica que existem três subtipos de câncer de pele: carcinoma basocelular (CBC), carcinoma espinocelular (CEC) e melanoma. 

O câncer de pele mais comum é o CBC, que corresponde a cerca de 70% dos casos. Com baixa letalidade, ele surge na camada superior da pele em locais como face, orelhas, pescoço, couro cabeludo e costas. Segundo o Ministério da Saúde, esse tipo de câncer apresenta uma evolução lenta. O carcinoma espinocelular (CEC), por sua vez, é o segundo tipo de câncer mais comum, podendo se desenvolver em todas as partes do corpo, embora a probabilidade dele se desenvolver em um local que é mais exposto ao sol seja maior.

Por fim, o melanoma é o tipo menos comum, porém mais perigoso, dos três. Apesar de responder por apenas 4% dos casos, 45% das mortes por câncer de pele ocorrem entre pacientes com esse subtipo. Segundo o Ministério da Saúde, há uma alta possibilidade de um melanoma causar metástase, ou seja, espalhar-se para outros órgãos. Ainda assim, o  prognóstico desse tipo de câncer pode ser considerado bom se detectado em sua fase inicial.


“O câncer de pele só se manifesta em partes do corpo que são expostas ao sol”

FALSO

A exposição aos raios solares é a principal causa do câncer de pele, mas não é a única. Gomes informa que o câncer de pele pode se manifestar em qualquer região da pele, podendo surgir até nas mucosas. Contudo, o médico afirma que essa situação não é comum, já que 90% dos casos da doença estão ligados à exposição aos raios ultravioletas do sol. De acordo com ele, há casos de CBC na região dos lábios associado ao tabagismo, de CEC na região genital associados ao vírus HPV e até mesmo um subtipo de melanoma, acral-lentigionoso, que pode ocorrer nas palmas e plantas das mãos e dos pés e nas unhas.

Em seu site, o Ministério da Saúde também destaca que o melanoma pode aparecer em qualquer parte do corpo. Ele se apresenta na forma de manchas, pintas ou sinais. No caso dos negros, esse tipo de câncer é mais comum nas áreas mais claras do corpo, como palmas das mãos e pés. 


“Pintas ou sinais em crescimento são indícios do câncer de pele”

VERDADEIRO

Pintas e sinais em crescimento podem ser um dos sinais para a detecção do câncer de pele, de acordo com Gomes. Essas marcas costumam crescer de forma rápida, em poucos dias, e mudar constantemente de formato.

Ele afirma ainda que o câncer de pele tem outros três sintomas: feridas ou úlceras que não cicatrizam num período de até 4 semanas, verrugas dolorosas de crescimento progressivo e pequenas pápulas (bolinhas) de crescimento progressivo, brilhantes ou peroladas, com pequenos vasos sanguíneos bem visíveis.

Constatados esses indícios, o recomendado pelo Ministério da Saúde é procurar um dermatologista que possa realizar exames clínicos para obter um diagnóstico preciso. Como em qualquer tipo de câncer, quanto mais cedo o diagnóstico, mais fácil o tratamento e maiores as chances de sucesso.


“Luz de lâmpada pode causar câncer de pele”

EXAGERADO

Segundo Gomes, as lâmpadas utilizadas para iluminação emitem principalmente a “luz visível”, e ela não está relacionada ao desenvolvimento do câncer de pele. Contudo, o especialista atenta ao risco das lâmpadas que emitem radiação ultravioleta e são utilizadas nas câmaras de bronzeamento. Atualmente, esse tipo de lâmpada está proibida no Brasil. 


“A quantidade de filtro solar influencia na prevenção do câncer de pele”

VERDADEIRO

O uso de filtro solar é uma das principais formas de se prevenir contra o câncer de pele. Portanto, utilizar a quantidade adequada e reaplicar o produto sempre que necessário é uma medida importante para evitar a doença. Gomes explica que o Consenso Brasileiro de Fotoproteção recomenda o uso de protetores solares de FPS mínimo de 30, sendo necessário aplicar 2 g/cm² do produto para fazer o efeito adequado. A primeira aplicação deve ser feita com muita atenção, 15 minutos antes da exposição ao sol. Veja mais dicas sobre o uso de filtro solar aqui.

Editado por: Chico Marés

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