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#Verificamos: É falso que Cuba fabricou uma vacina contra o novo coronavírus

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
13.mar.2020 | 15h03 |

Circula pelas redes sociais um texto com a afirmação de que Cuba produziu uma vacina capaz de combater o novo coronavírus (SARS-CoV-2). O produto teria sido usado contra o surto na China, ajudando a salvar 1.500 pessoas. A disseminação da Covid-19 pelo mundo foi declarada como uma pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS) na última quarta-feira (11). A doença avança pelo Brasil, que até a tarde desta quinta-feira (12), tinha 77 casos confirmados pelo Ministério da Saúde. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da ​Lupa​:

“Cuba anuncia que já fabricou vacina contra o coronavírus”

Título de texto publicado pelo blog Olho Aberto Paraná que, até as 11h de 13 de março de 2020, tinha 170 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Pesquisadores de Cuba estão tentando desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus, assim como cientistas de outros países, mas este produto ainda não foi criado em nenhum lugar do mundo. O que a China adotou no tratamento de pacientes com Covid-19 foi um remédio antiviral, o Interferon alfa 2B, produzido pela fábrica sino-cubana Changheber. A droga não tem qualquer efeito preventivo, não pode ser considerada como uma vacina, não foi desenvolvida especificamente para combater o SARS-Cov-2 e também não foi criada por Cuba.

A confusão começou por conta de um tuíte do presidente cubano, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, de 7 de fevereiro. Ele compartilhou uma reportagem do jornal estatal Granma sobre o uso pela China do Interferon alfa 2B produzido com tecnologia cubana no tratamento de pacientes da Covid-19. O texto afirma que o medicamento teria ajudado a curar mais de 1.500 pacientes. Em nenhum momento Bermúdez relaciona o Interferon alfa 2B a uma vacina contra o novo coronavírus, neste ou em outros tuítes. Ainda assim, sites brasileiros começaram recentemente a propagar a informação de que o Interferon alfa 2B funcionava como vacina.

O medicamento é produzido na China pela fábrica sino-cubana Changheber e foi selecionado, entre vários outros, pela Comissão Nacional de Saúde para o tratamento de pacientes com o novo coronavírus. A produção usa tecnologia cubana, mas o Interferon alfa 2B não foi criado naquele país. O pesquisador Charles Weissmann, da Universidade de Zurique, descobriu este antiviral em 1979. O medicamento é fabricado hoje por uma série de laboratórios em todo o mundo e tem sido adotado contra infecções e no combate ao câncer. 

Na China, o Interferon alfa 2B foi usado associado a outros medicamentos – lopinavir/ritonavir e ribavirin – para o tratamento da Covid-19, segundo artigo publicado pela Nature. Ao lidar com o surto da doença no início do ano, pesquisadores daquele país produziram um guia para atendimento que traz essa recomendação. Ao indicar esse conjunto de remédios, eles se basearam na experiência positiva verificada com essas drogas no tratamento de SARS e MERS, que são causadas por outros tipos de coronavírus.

O desenvolvimento de uma vacina contra o novo coronavírus por Cuba foi mencionado em uma reportagem do Granma, veículo oficial do Partido Comunista cubano. Ao falar sobre o SARS-CoV-2, o ministro da Saúde Pública, Portal Miranda, afirmou no programa de TV Mesa Redonda que a estatal BioCubaFarma estava trabalhando na sua criação, sem dar mais detalhes. Ou seja, a vacina ainda não existe.

Uma versão semelhante desta checagem foi feita por Boatos.org, E-farsas e Estadão Verifica.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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