A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

É antigo vídeo de Drauzio Varella minimizando isolamento contra novo coronavírus

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
22.mar.2020 | 12h03 |

Neste domingo (22), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, divulgou em sua conta no Twitter um vídeo que mostra o doutor Drauzio Varella fazendo recomendações de saúde por conta da transmissão do SARS-CoV-2, o novo coronavírus, que causa a Covid-19. Na gravação, o médico afirma que vai continuar andando na rua mesmo com a disseminação do vírus e fala ainda que nada justifica uma mudança nos hábitos da população. 

Contudo, o vídeo publicado pelo ministro é antigo e foi divulgado pelo médico em suas redes sociais no dia 30 de janeiro, quando não havia nenhum caso do novo coronavírus no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, o primeiro registro de um paciente com o vírus ocorreu no dia 26 de fevereiro – ou seja, quase um mês depois da gravação de Drauzio. O paciente, um homem de 61 anos que morava em São Paulo, havia viajado para a região da Lombardia, na Itália, e deu entrada no Hospital Israelita Albert Einstein em 25 de fevereiro.

A equipe de Drauzio Varella respondeu ao tuíte de Ricardo Salles e disse: “@rsallesmma, na posição de ministro, esperamos que o senhor, no mínimo, tenha a responsabilidade de se atentar à data em que esse vídeo foi publicado (30/01), uma vez que a situação em torno do coronavírus muda rapidamente”. A assessoria de imprensa de Drauzio afirma que o vídeo divulgado por Salles foi apagado das redes sociais para evitar confusão. É possível ver que esse conteúdo existiu no site do médico e que foi publicado em janeiro. Por se tratar de um conteúdo antigo, o Twitter decidiu, na segunda-feira (23), apagar a postagem do ministro, uma vez que viola as regras de uso da rede social e pode colocar pessoas em risco. 

Em 30 de janeiro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) havia declarado o novo coronavírus como emergência de saúde internacional, ou seja, o surto ainda não era considerado uma pandemia. Países como Itália, Índia e Filipinas haviam confirmado os primeiros casos de Covid-19 naquele dia. Também não havia ocorrido morte fora da China, que contava então com 170 óbitos e 8,1 mil casos em todo o país.

Em seu canal do YouTube, o médico já ressaltou em diversos momentos que a pandemia do vírus SARS-CoV-2 é dinâmica. Com isso, as informações e recomendações de autoridades de saúde podem mudar em um espaço curto de tempo. No dia 19 de março, por exemplo, Drauzio divulgou um vídeo destacando a necessidade de a população seguir as novas orientações de isolamento social para prevenir o contágio. “Vocês vão encontrar na internet vídeos em que eu falava: ‘Não, não há motivo pra pânico, nós temos que levar vida normal, eu mesmo estou levando vida normal’. Motivo pra pânico não existe nem agora, lógico, mas não está mais na hora de dizer que eu tô levando vida normal, evidentemente. Eu tenho mais de 70 anos e tô bem resguardado mesmo”, conta o médico, no seu canal.


Essa não é a primeira vez que um vídeo antigo de Drauzio sobre o coronavírus é tirado de contexto. Na última segunda-feira (16), circulou pelo Instagram uma gravação em que o médico afirmava que não era necessário parar de ir à academia por conta do novo coronavírus. Esse material, no entanto, havia sido publicado três semanas antes – ou seja, também no final de janeiro –, segundo a assessoria de imprensa do médico. Neste domingo (22), Drauzio publicou um novo vídeo explicando por que as academias deveriam ficar fechadas.

No YouTube, o doutor Drauzio Varella vem divulgando vídeos curtos sobre o novo coronavírus. Nessas gravações, já mostrou como se deve lavar as mãos (uma das principais medidas para se prevenir contra o novo coronavírus, segundo a OMS) e explica quando uma pessoa deve procurar o pronto-socorro caso tenha sintomas da nova síndrome. 

Atualização feita Às 17h do dia 23 de março de 2020: Após a publicação desta reportagem, o Twitter decidiu apagar o post do ministro Ricardo Salles. Por essa razão, a Lupa atualizou o material informando a decisão da empresa

Editado por: Maurício Moraes e Natália Leal

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

SIGNATORY- International Fact-Checking Network
Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo