A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

Quem teve coronavírus fica imune? Sintomas seguem uma ordem? Lupa tira dúvida de leitores

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
27.mar.2020 | 18h32 |

Nos três primeiros meses de 2020, o vírus SARS-Cov-2, que causa a Covid-19, já contaminou mais de 460 mil pessoas ao redor do mundo e matou mais 20 mil – os dados são de relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na última quinta-feira (26 de março). No Brasil, até o dia 27 de março, foram diagnosticados 3.417 casos e 92 mortes. Muitos brasileiros ainda têm dúvidas em relação ao novo coronavírus e, pensando nisso, a Lupa pediu para que seus leitores encaminhassem dúvidas sobre o vírus e a doença no Instagram. Veja o resultado:

“Quem teve Covid-19 e se curou nunca mais vai desenvolver a doença”
Dúvida encaminhada por um leitor da Lupa pelo Instagram

INSUSTENTÁVEL

Ainda não existe um estudo definitivo que prove se uma pessoa que tenha testado positivo para o novo coronavírus vai desenvolver imunidade para o vírus ou não. Segundo o professor do departamento de Epidemiologia do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ) Guilherme Werneck, ainda há muitas dúvidas sobre a ação desse novo microorganismo. Uma delas é a resposta do nosso sistema imunológico à infecção.

Coronavírus é uma família de vírus, e alguns desses organismos já foram estudados de forma mais aprofundada. Um deles é o MERS-Cov, responsável pela Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS, em inglês), que já atingiu 27 países e causou 858 mortes. Segundo Werneck, pessoas que contraem essa doença adquirem imunidade por cerca de um ou dois anos. Contudo, ela não é garantida: é possível contrair o vírus novamente mesmo nos dois anos subsequentes à doença. O que ocorre é que fica menos provável que a doença se manifeste novamente.

Uma reportagem da BBC mostrou que um idoso que se curou da Covid-19 voltou a apresentar sintomas da doença poucos dias depois de ter alta do hospital.


“Falta de ar pode se manifestar sem ser acompanhada de tosse ou febre”
Dúvida encaminhada por um leitor da Lupa pelo Instagram

VERDADEIRO

Nos casos de Covid-19, a falta de ar pode se manifestar sem que outros sintomas comuns à doença, como tosse ou febre, apareçam. Segundo Weneck, da UFRJ, essas são as características mais ordinárias da Covid-19, mas “não são obrigatoriamente sintomas que têm que acontecer em todo indivíduo infectado pelo [novo] coronavírus”.


“Todos os pacientes com Covid-19 apresentam os mesmo sintomas”
Dúvida encaminhada por um leitor da Lupa pelo Instagram

FALSO

Os sintomas da Covid-19 podem variar bastante de acordo com cada pessoa. Segundo Werneck, as manifestações mais comuns da doença são tosse seca, febre, dores no corpo, cansaço, coriza e falta de ar. Entretanto, nem todas as pessoas apresentam esses sintomas. Em alguns casos, é possível que o doente não sinta nenhum incômodo  – são os casos chamados assintomáticos. E também há relatos de sintomas diferentes, como dores nas articulações e perda do olfato e do paladar.

O Ministério da Saúde recomenda que quem sinta sintomas leves de Covid-19 fique em casa por 14 dias, seguindo as instruções de isolamento. Caso não more sozinho, é preciso manter distância de pelo menos um metro dos outros moradores da casa, usar máscara o tempo todo, não compartilhar cadeiras, sofás e itens pessoais e, quando possível, utilizar um banheiro diferente do resto. “Só procure um hospital de referência se estiver com falta de ar”, orienta o Ministério.

Em seu canal no YouTube, o médico Drauzio Varella explicou o porquê de evitar ir a um pronto socorro se os sintomas não forem graves. Se o paciente não está com Covid-19, as unidades de saúde são lugares com alto risco de transmissão e existe a possibilidade de que a pessoa acabe se contaminando. Agora, se o paciente já está contaminado, sua presença na unidade pode ser perigosa para outras pessoas e profissionais de saúde. Logo, só procure ajuda médica em casos graves.


“Coronavírus se instala em tecidos”
Dúvida encaminhada por um leitor da Lupa pelo Instagram

VERDADEIRO, MAS

O vírus SARS-Cov-2 pode sobreviver em tecidos –  assim como em qualquer superfície. Porém, até o momento, não se sabe o tempo exato de sua permanência. Um estudo publicado pelo New England Journal of Medicine mostrou que o vírus se manteve ativo sobre cobre (4 horas), papelão (1 dia), plástico e aço inoxidável (3 dias cada). Outros materiais, no entanto, não foram pesquisados.

Segundo o infectologista Paulo Santos, da Sociedade Brasileira de Infectologia, o vírus sobrevive “várias horas, às vezes dias, em qualquer tipo de superfície”, embora ainda não seja possível estabelecer o tempo exato. Por essa razão, a recomendação das autoridades de saúde, como o Ministério da Saúde e a OMS, é lavar as mãos com água e sabão, não compartilhar objetos de uso pessoal e evitar tocar os olhos, o nariz e a boca sem que as mãos estejam devidamente higienizadas.


“Estando infectado, posso ir ao mercado com máscara e mãos higienizadas com álcool”
Dúvida encaminhada por um leitor da Lupa pelo Instagram

FALSO

A recomendação para pessoas que testaram positivo para coronavírus é ficar em casa, mesmo que não tenham desenvolvido sintomas. Ao ir a um mercado, você pode estar colocando em risco outras pessoas – mesmo tomando precauções como o uso de máscara e álcool gel. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o período de incubação do vírus é de, no máximo, 14 dias. Portanto, se você estiver infectado, não saia de casa por esse período – a não ser, claro, que precise de atenção médica.

Segundo o professor Werneck, da UFRJ, a máscara não é 100% eficiente para evitar que haja a transmissão de uma pessoa infectada para outra. Sendo assim, é importante uma pessoa contaminada evitar, de fato, o contato com outras pessoas.

No início do mês, o Ministério da Saúde recomendou que pessoas que sejam portadoras do vírus e não precisem ser hospitalizadas permaneçam em casa. Caso possível, representantes da Sociedade Brasileira de Infectologia recomendam que essa pessoa tenha quarto e banheiro separados dos demais moradores da casa.


“Pode usar qualquer tipo de sabão e sabonete para lavar as mãos”
Dúvida encaminhada por um leitor da Lupa pelo Instagram

VERDADEIRO

Sabão, sabonete e detergente são efetivos na higienização das mãos para a prevenção do novo coronavírus, segundo o professor Werneck. Trata-se da melhor forma de higienizar as mãos, mais eficiente, inclusive, que o álcool gel – de acordo com o pesquisador Francisco Paumgartten, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Mas é importante tomar cuidado para não lavar as mãos de qualquer jeito. Quando a higienização não é completa, alguns germes podem sobreviver. Em seu canal do YouTube, o médico Drauzio Varella divulgou um vídeo mostrando a maneira correta de lavar as mãos. Veja aqui.


“É recomendável que todos usem máscaras nas ruas”
Dúvida encaminhada por um leitor da Lupa pelo Instagram

FALSO

A Organização Mundial de Saúde recomenda o uso de máscaras apenas para pessoas que estejam com sintomas da Covid-19 ou que estejam cuidando de alguém que tenha sido diagnosticado com a doença ou com o vírus.

Em seu site, o doutor Drauzio Varella explica que esse material não deve ser utilizado como método de prevenção. Segundo o médico, a máscara só é completamente eficaz durante duas horas de uso. Após esse tempo, ela começa a perder a qualidade e a eficácia. Outro motivo apontado por Varella é que caso todas as pessoas comprem máscaras, o material fará falta para quem realmente precisa usá-lo, como os profissionais de saúde.

A OMS ressalta que a maneira mais eficaz de se proteger contra a Covid-19 é higienizar frequentemente as mãos, cobrir a tosse com a curva do cotovelo ou tecido e manter uma distância de pelo menos um metro de outras pessoas. A organização também destaca a necessidade de evitar tocar olhos, nariz e boca; permanecer em casa caso se sinta mal e evitar viajar, preferindo sempre o isolamento.

Editado por: Chico Marés e Natália Leal

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

SIGNATORY- International Fact-Checking Network
Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo