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Foto: Pakistan Red Crescent
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Covid-19: quais recomendações vale a pena seguir durante a pandemia?

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
30.mar.2020 | 14h50 |

O vírus SARS-Cov-2, que causa a Covid-19, segue se espalhando pelo Brasil e infectou 4.256 pessoas e matou 136 no país até o último domingo (29), segundo dados do Ministério da Saúde. Levando em consideração o que circula nas redes sociais, a Lupa reuniu informações – falsas e verdadeiras – sobre a doença, mostrando o que vale a pena e o que não vale seguir durante a crise de saúde mundial. Veja o resultado:

O que você deve fazer durante a crise:

Lavar as mãos – Lavar as mãos com água e sabão é essencial para se manter seguro durante a epidemia. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o sabão mata o vírus SARS-Cov-2, evitando assim o contágio. É preciso lavar as mãos com atenção: não basta passar a mão debaixo da torneira, é preciso garantir que as mãos inteiras estejam bem limpas. O doutor Drauzio Varella fez um vídeo explicando como garantir uma higienização completa.

Higienizar as mãos com álcool em gel 70% – Caso você tenha que sair de casa e não tenha como lavar suas mãos com água e sabão, o álcool em gel 70% também é uma alternativa para fazer a higiene adequada. Ele também mata o vírus e impede o contágio. Se for ficar em casa, melhor usar água e sabão mesmo: é mais confortável e, também, mais eficiente.

Evitar coçar os olhos ou o rosto em público – A Organização Mundial da Saúde afirma que uma das formas de se prevenir do SARS-Cov-2 é evitar tocar nos olhos, nariz e boca, já que a contaminação ocorre quando o vírus entra em contato com as mucosas. Ou seja, caso você tenha tocado em uma superfície contaminada com o vírus, ele pode ser transportado pela sua mão até o rosto. Evitar tocar essas áreas diminui a possibilidade de contaminação.

Evitar aglomerações – A Organização Mundial da Saúde recomenda manter um metro de distância entre pessoas, o que é impossível ser feito em uma aglomeração. Segundo a entidade, caso alguma pessoa contaminada espirre ou tussa em meio a outras, o vírus pode ser transportado por pequenas gotículas de água, contaminando todo mundo que estiver à volta. Por isso a importância do isolamento social neste momento de pandemia.

Ficar em casa caso tenha sintomas leves da Covid-19 – Caso uma pessoa esteja sentindo sintomas leves da Covid-19, como febre, tosse e nariz escorrendo, o mais recomendado é que ela permaneça em casa e monitore a evolução deles. Isso evita que ela contamine outras pessoas na rua, caso esteja, de fato, infectada. Segundo o doutor Drauzio Varella, é necessário evitar ir a um pronto-socorro se os sintomas não forem graves. Se o paciente não está com Covid-19, as unidades de saúde são lugares com alto risco de transmissão, e existe a possibilidade de a pessoa acabar se contaminando. Agora, se o paciente já está contaminado, sua presença na unidade pode ser perigosa para os outros pacientes e profissionais de saúde. Logo, as autoridades médicas recomendam que só se procure ajuda médica em casos graves, quando o infectado sente falta de ar.

O que não faz diferença durante a crise:

Usar barba – Até o momento, não existe uma recomendação de órgãos de saúde para que homens tirem a barba. Segundo especialistas, não há estudos que indiquem que pelos faciais poderiam facilitar a transmissão do vírus. Alguns cortes de barba e bigode podem ser um problema para profissionais de saúde que usam máscaras respiratórias. Entretanto, isso acontece porque a barba atrapalha no posicionamento das máscaras.

Beber água gelada – Representante da Sociedade Brasileira de Infectologia afirma que não há “evidência científica que contraindique a ingestão de líquidos gelados”. Segundo especialista, o líquido gelado pode gerar desconforto na garganta para pessoas que estejam resfriadas, porém isso não piora – e nem melhora – a doença. 

Beber chá e outras bebidas quentes – Assim como a água gelada não atrapalha, líquidos quentes não ajudam na prevenção ou no combate ao novo coronavírus. Especialistas da USP afirmam que temperaturas entre 30ºC e 40ºC conseguem reduzir a permanência do vírus no ambiente, entretanto não são suficientes para eliminá-lo completamente. Além disso, o tipo de superfície pode contribuir para que o novo coronavírus resista por mais tempo.

Consumir alimentos ricos em vitamina C – A vitamina C não tem efeitos específicos conhecidos sobre o novo coronavírus. Portanto consumir grandes quantidades dessa substância não previne a ocorrência da doença. Tendo dito isso, o consumo dessa substância em doses adequadas (cerca de 90 miligramas por dia) é importante para uma dieta balanceada. Evite consumir suplementos sem recomendação médica, pois o excesso de vitamina C é nocivo para a saúde.

Fazer gargarejos – O Ministério da Saúde informa que fazer gargarejo não mata o vírus SARS-Cov-2, responsável por causar a Covid-19. Contudo, a pasta explica que o gargarejo pode ajudar a aliviar o incômodo na garganta, que pode ocorrer com a doença.

Tomar água fervida com alho para curar a Covid-19 – De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o alho tem algumas propriedades contra micróbios, mas não há qualquer comprovação científica de que consegue matar o novo coronavírus.

O que você não deve fazer durante a crise:

Substituir álcool 70% por álcool do posto de gasolina – O Conselho Federal de Química explica que o álcool encontrado nos postos de gasolina contém produtos nocivos para a saúde humana, como metanol e alguns hidrocarbonetos. Esses componentes causam irritação na pele e mucosas e, em caso de ingestão, podem levar à morte.

Tomar hidroxicloroquina sem recomendação médica – Os estudos sobre a eficiência da hidroxicloroquina no combate ao SARS-Cov-2 são preliminares. Além disso, esse medicamento é utilizado no tratamento de doenças crônicas e sua compra desenfreada reduz a disponibilidade para pessoas que realmente precisam.

Substituir álcool gel por vinagre – O Ministério da Saúde informou que o uso do vinagre para combater o vírus não é recomendado. O Conselho Federal de Química (CFQ) informou, por sua vez, que o vinagre é composto de ácido acético, um “produto relativamente ineficaz na destruição de microrganismos”, como o SARS-Cov-2.

Editado por: Nathália Afonso, Chico Marés e Natália Leal

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