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#Verificamos: É falso que OMS mudou de posição sobre restrições de movimento durante epidemia de Covid-19

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
31.mar.2020 | 18h54 |

Circula pelas redes sociais que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recuou nas recomendações de isolamento. Um texto publicado no site Terça-Livre citou essa informação e afirmou que, para a entidade, “governos devem pensar em quem precisa garantir o pão de cada dia”. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“OMS recua e diz que governos devem pensar em quem precisa garantir o pão de cada dia”
Título de reportagem publicada pelo site Terça-Livre que, até às 17h do dia 31 de março de 2020, tinha sido compartilhada por mais de 200 pessoas no Facebook

FALSO

A OMS não recuou na sua decisão de recomendar o isolamento como forma de prevenir a disseminação do vírus SARS-Cov-2, causador da Covid-19. Na verdade, o diretor-geral da instituição, o etíope Tedros Adhanom Gheybresus, apenas reconheceu que pessoas pobres podem ser prejudicadas por ficarem sem fonte de renda durante o período. Em entrevista coletiva na última segunda-feira (30), ele concluiu que os governos nacionais devem desenvolver políticas públicas para garantir renda a essas pessoas – e não relaxar as medidas de isolamento onde elas são necessárias. Em momento algum ele indicou uma mudança de opinião da OMS sobre o assunto.

Essa informação começou a circular pelas redes sociais após Tedros afirmar, na última segunda-feira (30), que muitas pessoas precisam trabalhar para garantir o “pão de cada dia”. Contudo, o representante da OMS estava destacando a necessidade dos governos desenvolverem políticas sociais fortes para amparar a população mais vulnerável financeiramente. Em nenhum momento ele afirmou que o isolamento deveria ser repensado. 

Depois da coletiva, em seu Twitter, Tedros afirmou que pessoas sem uma grande renda familiar merecem políticas sociais que garantam com dignidade o cumprimendo das medidas de saúde pública recomendadas pelas autoridades nacionais de saúde. “Eu cresci pobre e entendo essa realidade. Chamo os países a desenvolver políticas que forneçam proteção econômica para pessoas que não podem ganhar ou trabalhar em meio à pandemia de #COVID19”, escreveu o diretor-geral da OMS. 

O diretor-executivo do Programa para Emergências em Saúde da OMS, o irlandês Michael Ryan, também participou dessa coletiva. Ele disse, sem citar casos específicos, que políticas de restrição total podem ser necessárias, dependendo da gravidade da epidemia no local. Ryan reconheceu que essas medidas causam problemas para a população, e reforçou a necessidade de comunicá-las de forma adequada aos cidadãos afetados. Assim como Tedros, em nenhum momento ele defendeu o relaxamento dessas medidas.

Nesta terça-feira (31), o presidente Jair Bolsonaro também retirou de contexto a fala de Tedros. Ele disse que o diretor da OMS falou “praticamente” que os trabalhadores informais “têm que trabalhar” durante a pandemia do novo coronavírus. Em nenhum momento Tedros disse isso.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés e Maurício Moraes

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