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#Verificamos: É falso que AGU vai investigar supostos crimes da Globo contra o presidente

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
02.abr.2020 | 18h06 |

Circula pelas redes sociais uma publicação afirmando que a Advocacia-Geral da União (AGU) determinou a instauração de um “procedimento para averiguação de eventuais crimes” cometidos pela Rede Globo contra o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido). Ainda de acordo com o texto, a emissora poderia ser enquadrada na Lei de Segurança Nacional por “caluniar ou difamar o presidente da República”. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“O Advogado-Geral da União André Mendonça determinou a instauração de procedimento para averiguação de eventuais crimes cometidos pela emissora contra a pessoa do presidente da República”

Legenda de post no Facebook que, até as 14h do dia 2 de abril de 2020, tinha 41 mil compartilhamentos

FALSO

A informação verificada pela Lupa é falsa. De acordo com a assessoria de imprensa da Advocacia-Geral da União (AGU), não existe “qualquer procedimento determinado pelo advogado-geral da União, André Mendonça, que trate de ‘eventuais crimes’ envolvendo o Grupo Globo de Comunicação”.

A publicação no Facebook utiliza informações de um despacho de outubro de 2019, que, segundo a AGU, teve o objetivo de “averiguar a prática de ato de improbidade administrativa por agente público” no vazamento de informações que corriam em segredo de justiça no assassinato da vereadora Marielle Franco.

Na época, a Globo teve acesso ao registro de visitas do condomínio Vivendas da Barra e ao depoimento de um porteiro do local, onde morava um dos suspeitos pelo crime, Ronnie Lessa. No mesmo local, Jair Bolsonaro tem uma casa. O porteiro afirmava que era o presidente quem tinha autorizado a entrada no condomínio do outro suspeito de assassinar Marielle, Élcio Queiroz. Uma perícia mostrou, meses depois, que quem permitiu a entrada de Queiroz foi Lessa.

Ainda em 2019, o presidente compartilhou o documento da AGU em seu perfil no Facebook e disse que “o caso Marielle, a TV Globo e as autoridades” tinham “um plano para incriminar o presidente e desestabilizar o Brasil”. À época, o advogado-geral da União comentou, em sua conta do Twitter, que “a verdade e a justiça devem sempre prevalecer” e que as “narrativas jornalísticas não podem ser conduzidas com o único objetivo de difamar”.

Por e-mail, a assessoria de imprensa do Grupo Globo informou que desconhece “tal procedimento” da AGU.

Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook.

Editado por: Natália Leal

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