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#Verificamos: Vídeo de confronto na Cracolândia não foi feito na pandemia de Covid-19

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
03.abr.2020 | 19h59 |

Circula pelas redes sociais um vídeo que mostra guardas civis metropolitanos (GCMs) em confronto com dependentes químicos na Cracolândia, no centro de São Paulo. Um grupo de usuários ataca um dos agentes, que passava de moto no cruzamento das alamedas Glete e Cleveland. Ao cair no chão, o GCM começa a ser agredido. Em seguida, ouvem-se tiros e as pessoas fogem correndo em diferentes direções. Um dos dependentes é atingido pelos disparos, cai no chão e passa a ser golpeado com cassetetes por dois agentes, apesar de se manter imóvel.

A gravação, que não mostra nenhuma data, passou a ser compartilhada na última sexta-feira (3), depois que surgiram dois áudios falsos sobre arrastões na Cracolândia. Com isso, parece mostrar um fato registrado recentemente, durante a pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“Já deu! Chega! Chega! Mataram o cara, mano. Era borracha os tiros? Não. Está tudo registrado, mano”

Frase de narrador não identificado em vídeo que circulava pelo WhatsApp em 3 de abril de 2020 como se tivesse sido gravado recentemente

FALSO

O vídeo analisado pela Lupa é antigo. A Secretaria da Segurança Pública afirmou, em nota, que o confronto entre usuários de crack e GCMs ocorreu em 8 de novembro de 2019 – ou seja, quase quatro meses antes de 26 de fevereiro de 2020, quando o Brasil teve o primeiro caso confirmado de Covid-19. Não há qualquer relação entre o tiroteio e a pandemia. 

Segundo reportagem do G1 publicada na época, um homem e um GCM foram baleados durante o conflito. A prefeitura afirmou que o guarda que cai no chão tem a arma roubada e é atingido por um disparo. A pessoa que pegou a arma seria o usuário no vídeo que sai correndo, é atingido por tiros e cai no chão, momentos depois. De acordo com a Folha de S.Paulo, os dois feridos foram levados para a Santa Casa de Misericórdia.

Editado por: Natália Leal

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