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#Verificamos: É falso que médicos de 30 países confirmam a eficácia da cloroquina

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
16.abr.2020 | 18h10 |

Circula pelas redes sociais um post com a afirmação de que médicos de 30 países confirmaram a eficácia da cloroquina no tratamento de pacientes com Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2). A mensagem critica o posicionamento do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, dizendo que só ele é contrário ao uso do medicamento. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“Cloroquina: médicos de 30 países confirmam a eficácia do remédio. Só o Mandetta que é contra”

Texto em foto de post no Facebook que, até as 15h de 16 de abril de 2020, tinha mais de 4,3 mil compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O post que circula nas redes sociais baseou-se no Barômetro em Tempo Real de Covid-19, uma pesquisa semanal feita pela plataforma de saúde Sermo. Atualmente, o maior grau de eficiência apontado nas consultas é o do uso de plasma de pacientes que se recuperaram de Covid-19, que chegou a 46% de aprovação.

A cloroquina e a hidroxicloroquina não foram consideradas como o melhor tratamento pelos médicos consultados nas duas etapas mais recentes da enquete – isso ocorreu apenas na primeira a medição, feita em março. 

O levantamento da Sermo consulta 6 mil especialistas em 30 países para extrair informações sobre o estágio da pandemia, medidas tomadas contra o coronavírus, tipos de tratamento adotados e os impactos no sistema de saúde. As perguntas sobre terapias contra o novo coronavírus listam 10 procedimentos diferentes que vêm sendo empregados. Além disso, os médicos podem responder mais de uma vez, sobre várias das opções disponíveis. Por isso, não se pode dizer qual delas é a preferida. 

Na fase mais recente da pesquisa, feita entre os dias 6 e 9 de abril, 40% dos médicos que responderam sobre os tratamentos com cloroquina e hidroxicloroquina consideraram que o resultado foi eficaz contra o vírus. Na segunda etapa, que ocorreu entre 30 de março e 2 de abril, as duas substâncias foram consideradas eficientes por 38% dos entrevistados que avaliaram. Já na primeira fase, de 25 a 27 de março, 37% dos médicos consultados consideraram esses medicamentos como os mais eficazes.

Ao longo das três medições feitas pelo Barômetro, a parcela dos médicos que considerou a cloroquina e a hidroxicloroquina eficientes contra Covid-19 variou pouco, passando de 37% para 40%. Já o tratamento com uso de plasma ganhou apoio e foi de 7%, na primeira análise, para 46%, na mais atual. Ainda que haja uma parcela de médicos favoráveis ao uso da cloroquina, ainda não há estudos científicos capazes de comprovar sua capacidade de curar pacientes infectados pelo SARS-CoV-2.

Secretaria de Comunicação do Governo

No dia 21 de maio, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) citou, em sua conta oficial no Twitter, a pesquisa da Sermo como fonte para dizer que pesquisa com médicos de 30 países indica que a hidroxicloroquina é o tratamento mais eficaz para a Covid-19. Dados da versão mais recente deste levantamento, realizado entre os dias 11 e 13 de maio, dizem o contrário.

Para pacientes com sintomas leves e não internados em hospitais, o medicamento foi considerado muito ou extremamente eficaz no tratamento da doença por 34% dos médicos. Outros remédios foram considerados mais eficazes, incluindo anticoagulantes (49%), tocilizumabe (48%) e ivermectina (46%), assim como tratamento com plasma sanguíneo de pacientes já curados (57%).

Para pacientes internados, mas fora da UTI, o remédio foi visto como ainda menos eficiente. Apenas 23% consideram a droga eficaz. Novamente, anticoagulantes (46%) e tocilizumabe (44%), assim como favipiravir (36%), estão acima na lista.

Por fim, para pacientes em estado grave, apenas 20% dos médicos consideram hidroxicloroquina um tratamento muito ou extremamente eficaz. Anticoagulantes (42%), tocilizumabe (39%), favipiravir (30%) e remdesivir (24%) aparecem melhor colocados, entre outros.

Atualização no dia 21 de maio de 2020, às 19h15: Essa checagem foi atualizada para incluir informações sobre publicação da Secom.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Natália Leal

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