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#Verificamos: Foto e vídeo de caixão vazio são antigas e não têm relação com enterros por Covid-19 no Amazonas

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
29.abr.2020 | 16h28 |

Circula pelas redes sociais uma montagem com duas fotos. Em destaque, na parte superior, há uma imagem que mostra vários homens diante de um caixão aberto, que contém um saco em seu interior. A legenda afirma se tratar de caixões vazios que estariam sendo enterrados na Amazônia para provocar pânico na população, por conta da pandemia de Covid-19. Outra foto mostra uma fila de caixões numa vala comum sendo cobertos de terra por uma retroescavadeira, e que estariam vazios segundo “denúncia do Jornal da Band”. Também circulam pelas redes sociais posts com um vídeo da mesma cena, em vez das fotos. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“Denuncia gravíssima. No amazônia. Caixões vazios. Só pra causar pânico na população com número alto de óbito por covid-19”

Texto em post no Facebook que, até as 12h de 29 de abril de 2020, tinha mais de 6,5 mil compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Tanto a foto na parte superior da montagem como o vídeo dessa cena, que mostram um caixão vazio aberto, não têm nenhuma relação com a pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. A imagem original foi registrada pelo fotógrafo Milton Rogério e publicada no site São Carlos Agora em 30 de maio de 2017. Na época, a polícia descobriu que um grupo de pessoas em São Carlos, no interior de São Paulo, forjou a morte de uma moradora de rua para ganhar o dinheiro do seguro de vida.

Segundo reportagem do UOL, o grupo, liderado por um ex-agente funerário, fez seis apólices no nome da mulher, com valores entre R$ 800 mil e R$ 1,4 milhão. Meses antes, eles aproximaram-se da moradora de rua. Dizendo que iriam, ajudá-la, convenceram-na a solicitar a segunda via do RG e do CPF no Poupatempo da cidade. A quadrilha reteve os protocolos e, mais tarde, retirou os documentos, sem que ela soubesse. A moradora de rua viajou algum tempo depois para Matão (SP). 

Com o apoio de um médico, a quadrilha então falsificou o atestado de óbito e fez o “enterro” da mulher no cemitério Nossa Senhora do Carmo, em um caixão lacrado “por ordens médicas”. Dois meses depois, uma integrante do grupo tirou a certidão de óbito em um cartório da cidade, que serviria para resgatar o dinheiro das apólices. A Polícia Civil, no entanto, desvendou o golpe. Durante a investigação, o caixão foi desenterrado e ficou comprovado que não havia corpo, como se pode ver na foto compartilhada nas redes sociais. No interior havia apenas uma pedra e um saco de serragem. O site São Carlos Agora mostra toda a operação em uma galeria de imagens.

A segunda cena, que aparece na parte inferior da montagem e mostra uma fila de caixões em uma vala comum, aconteceu de fato no Amazonas, durante a pandemia de Covid-19. A Lupa mostrou recentemente, no entanto, que é falsa a informação de que estavam vazios e que isso foi noticiado pelo Jornal da Band. Isso foi negado tanto pela Band Nacional como pela Band Amazonas, bem como pela prefeitura de Manaus (AM), responsável pelos cemitérios do município.

Atualização feita às 11h30 de 5 de maio de 2020: Título e texto foram mudados para incluir a menção a posts que usam um vídeo com a mesma cena da primeira foto.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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