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#Verificamos: Foto não prova enterro de ‘caixão vazio’ carregado por dois homens na pandemia

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
30.abr.2020 | 19h29 |

Circula pelas redes sociais um post com a foto de um enterro, em um local não identificado. Na cena aparece um grupo de homens com trajes protegidos contra o novo coronavírus, causador da Covid-19, sendo que dois deles carregam um caixão. Uma legenda afirma que são necessárias no mínimo quatro pessoas para esse trabalho, o que “provaria” que o caixão estaria vazio. Essa seria uma “trama” para cobrar o dinheiro dos enterros do governo federal. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“Esses coveiros são muito fortes, entre o peso do caixão e o corpo é no mínimo 4 pessoas para carregar. (…) Caixões vazios são enterrados para os prefeitos cobrarem falsos enterros ao Governo Federal e com isso seguir com a máquina de roubo de dinheiro público Federal”

Legenda de post no Facebook que, até as 18h de 30 de abril de 2020, tinha 89 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O caixão mostrado na foto não está vazio. A cena mostra o sepultamento da dona de casa Esther Melo da Silva, de 67 anos, vítima de Covid-19, no cemitério Parque Tarumã, em Manaus (AM), no dia 10 de abril. O enterro foi acompanhado por uma equipe do site de jornalismo independente Amazônia Real e resultou na reportagem “Coronavírus: à espera de um leito; morte de Esther Silva revela colapso do sistema de saúde de Manaus”, de Izabel Santos, publicada em 14 de abril. 

Procurado pela Lupa, o coordenador de projetos Luigi Paolo do Nascimento Fernandes, 41 anos, que é genro da vítima, classificou os posts sobre o enterro como mentiras e falta de respeito. “Eu estava a cinco metros do caixão naquela foto”, disse, em mensagem enviada pelo WhatsApp. “[Isso é] um assédio moral no momento de dor da minha família.”

A reportagem narra as dificuldades enfrentadas pela dona de casa para obter atendimento no sistema de saúde da capital amazonense. Ela morreu em 9 de abril no Serviço de Pronto Atendimento e Policlínica Danilo Corrêa, sem conseguir vaga para o Hospital e Pronto Socorro Delphina Rinaldi Abdel, um centro de referência para tratamento da Covid-19 em Manaus. A espera por um leito durou cinco dias, mas a transferência não ocorreu. O sistema de saúde do estado entrou em colapso em abril, devido à grande quantidade de casos da doença.

Em nota divulgada em 28 de abril, a direção do Amazônia Real relata o caso e explica o contexto em que houve o registro das imagens. “Nossa equipe estava lá nesse momento, fazendo uma reportagem sobre o cemitério e fez o flagrante da foto no momento em que estava acontecendo o sepultamento”, afirmou Kátia Brasil, cofundadora e editora-executiva do Amazônia Real, por mensagem de voz enviada via WhatsApp. “Num primeiro momento, a gente pediu permissão inclusive para fazer a fotografia da família, que estava em comoção. Depois, quando acalmou, foi que nós pedimos a entrevista. E o genro da dona Esther concedeu a entrevista, depois que acabou o sepultamento, por telefone, para a repórter Izabel Santos.”

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌

Editado por: Chico Marés

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