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#Verificamos: É falso que uso prolongado de máscara de proteção produz hipóxia

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
07.maio.2020 | 16h56 |

Circula pelas redes sociais um texto que afirma que o uso prolongado de máscaras de proteção para o rosto poderia provocar hipóxia, quadro clínico causado por uma concentração insuficiente de oxigênio no sangue. “Respirar repetidamente o ar expirado se transforma em dióxido de carbono, e é por isso que nos sentimos tontos”, diz a mensagem.  Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

 

O uso prolongado da máscara produz hipóxia. Respirar repetidamente o ar expirado se transforma em dióxido de carbono, e é por isso que nos sentimos tontos.
Texto publicado no Facebook que, até as 16h do dia 07 de maio, tinha sido compartilhado 89 vezes

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O uso prolongado de máscara não causa hipóxia, insuficiência de oxigênio no sangue que impede que o corpo humano funcione adequadamente. Para que isso acontecesse, a entrada de ar no interior da máscara teria que estar completamente vedada, o que não é o caso de equipamentos usados em casa, por pessoas comuns. 

O professor de pediatria da Universidade Federal Fluminense, André Ricardo Araújo, especialista em infectologia pediátrica e controle de infecção hospitalar explica que não há há respaldo científico nesta afirmação. “Para uma situação de hipóxia, a pessoa deve passar por uma situação completa de vedação do ar. Não é o que acontece com a máscara, principalmente as feitas em casa, que têm diversas entradas possíveis para o oxigênio”. 

Já as máscaras do tipo N95, recomendadas para profissionais que lidam com pacientes infectados pelo coronavírus, filtram apenas as micropartículas presentes no ar, e não impedem a entrada e saída do ar em si. “Estes EPIs não seguram o ar expirado dentro deles. Existem válvulas respiratórias que eliminam, por exemplo, o dióxido de carbono”, explica Araújo. 

Para o infectologista, o uso de alguns tipos de máscaras de uso médico pode gerar desconforto, mas nunca a eliminação do oxigênio. “Apenas tentar respirar em um local hermético, como dentro de um saco plástico, causaria a hipóxia ou a asfixia”, conclui.

A Organização Mundial da Saúde recomenda que as máscaras de proteção sejam utilizadas por pessoas que apresentam problemas respiratórios e por profissionais de saúde que atendam pacientes com estes sintomas. Também reforça que a cultura local de uso destes materiais seja observada, além da correta higienização e descarte. Em alguns estados do Brasil, como São Paulo, o uso de máscaras comuns é obrigatório para quem sai na rua.

Reportagem do Lupa na Ciência mostra que o uso de máscaras é uma estratégia importante para a contenção da proliferação do novo coronavírus, mas não deve ser a única. A OMS reafirma que este tipo de proteção só é eficaz se combinada com a lavagem das mãos com água e sabão e a observação dos protocolos de proteção.

Essa informação também foi verificada pelos sites AFP, Polígrafo e Boatos.org

Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook.

 

Editado por: Chico Marés

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