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#Verificamos: Dinheiro apreendido em foto publicada pela PF não vem de hospitais de campanha contra Covid-19 no Rio

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
18.maio.2020 | 18h45 |

Circula pelas redes sociais um post com uma foto que mostra pilhas de cédulas apreendidas pela Polícia Federal (PF) em uma operação no Rio de Janeiro. De acordo com a legenda, a soma foi encontrada com a prisão de um assessor do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), chamado Paulo Peixoto. A quantia teria sido desviada de hospitais de campanha no estado, construídos para pacientes da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“Policia Federal prendeu com acessor (sic) do governador rio de janeiro paulo peixoto…dinheiro de hospitais de campanha covid 19”

Legenda de post no Facebook que, até as 12h de 18 de maio de 2020, tinha mais de 6,6 mil compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O dinheiro mostrado na imagem não foi desviado de hospitais de campanha construídos no Rio de Janeiro para abrigar pacientes da Covid-19. A Polícia Federal apreendeu a quantia durante a Operação Favorito, em 14 de março. Trata-se de uma fase da Lava Jato que apura o pagamento de propinas a agentes públicos, nos últimos dez anos, por empresas fornecedoras de mão de obra terceirizada no estado. Com isso, conseguiam contratos com a administração pública, que eram superfaturados. A investigação apura o desvio de R$ 3,9 milhões na gestão de 10 unidades de pronto atendimento (UPAs) pelo grupo.

A foto que circula no post, feita durante a Operação Favorito, foi divulgada pela própria PF e publicada pela imprensa. Em nota, a assessoria de comunicação da Polícia Federal informou que foi encontrada a quantia de R$ 1,589 milhão, exibida na imagem, em um imóvel localizado em Valença (RJ), alvo de um mandado de busca e apreensão. De acordo com o órgão, o suspeito que mantinha essa quantia foi preso em flagrante por porte ilegal de arma. Ele estava no interior do estado por conta da pandemia de Covid-19.

A operação, feita em conjunto com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), não agiu contra nenhuma pessoa chamada “Paulo Peixoto”, que seria assessor do governador Witzel. Entre os principais investigados estão o empresário Mário Peixoto, suspeito de pagar propinas e de liderar o grupo contratado para prestar serviços superfaturados, e o ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) Paulo Melo. Segundo o MP-RJ, foram presos Luiz Roberto Martins, Lisle Rachel de Monroe Carvalho, Carla dos Santos Braga, Leandro Braga de Souza e Luciano Leandro Demarchi.

De acordo com reportagem do jornal O Globo, os hospitais de campanha estavam na mira da organização. A força-tarefa da Lava Jato encontrou e-mails com a menção a R$ 876,4 milhões em gastos nas unidades de saúde que serão administradas pela organização social Iabas – isso era, no entanto, uma estimativa. Dos sete hospitais de campanha previstos nesse contrato firmado com o governo do Rio de Janeiro, apenas um está em funcionamento, no Maracanã. A Iabas negou participar do esquema.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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FALSO
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