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#Verificamos: É falso que filho de William Bonner e Fátima Bernardes recebeu auxílio emergencial do Governo Federal

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
21.maio.2020 | 17h39 |

Circula nas redes sociais que Vinícius Bonemer, filho dos jornalistas William Bonner e Fátima Bernardes, teria recebido o valor de R$ 600 do auxílio emergencial disponibilizado pelo Governo Federal. O auxílio é um benefício financeiro destinado a trabalhadores informais, microempreendedores individuais, autônomos e desempregados, cuja renda familiar total seja de até três salários mínimos – categorias às quais Vinícius não se enquadra. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Filho do Bonner conseguiu. Salário mensal do pai. R$ 800.000,00 pela REDE – ESGOTO Fora outros patrocínios. Salário mensal da mãe. Indefinido.
ISSO A GLOBO LIXO NÃO MOSTRA.
Este cidadão não precisa de auxílio!
Cadê o controle da CEF?”
Legenda de galeria de imagens publicada no Facebook que, até as 17h do dia 21 de maio, tinha sido compartilhada por mais de 200 pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Vinicius Bonemer não pediu à Caixa Econômica Federal o valor do auxílio para proteção emergencial do Governo Federal e, tampouco, recebeu os R$ 600,00 disponibilizados pelo governo. Trata-se de uma fraude: seu número de Cadastro de Pessoa Física (CPF) foi inserido no programa por terceiros. Uma foto da carteira de motorista de Vinícius começou a circular nas redes sociais após ele se envolver em um acidente de trânsito, em 2017.

William Bonner explicou o caso no Twitter. O jornalista afirma que, desde que teve o número divulgado, Vinícius foi vítima em diversas fraudes, que incluem, por exemplo, a contratação de serviços de televisão. Bonner afirma que pelos critérios do programa de auxílio emergencial seu filho não teria direito a receber o benefício, válido apenas para pessoas com renda familiar de até três salários mínimos, o equivalente a R$ 3.145,00. 

Contudo, ao consultar o site do Dataprev, descobriu que o CPF de Vinicius foi, de fato, utilizado irregularmente – e teve o auxílio aprovado. “O fraudador provavelmente indicou que não tinha conta bancária e abriu a conta específica da Caixa – a que, obviamente, meu filho não tem acesso. Portanto, sequer sabemos se o dinheiro foi depositado e se foi sacado”, afirma Bonner. De acordo com o site da Caixa Econômica Federal, se o requerente tiver direito ao auxílio mas sinalizar que não possui conta bancária, uma conta-poupança é aberta automaticamente na Caixa. Bonner disse, ainda, que apresentou queixa à polícia.

De acordo com o Ministério da Cidadania, o requerente se responsabiliza por apresentar todas as informações necessárias no momento da aplicação. Ou seja, o processo é autodeclaratório. “Todos os requerentes têm o dever legal de prestar as informações corretamente, sem omissões ou utilização de dados de terceiros em cadastros públicos, sob pena de incursão no crime de falsidade ideológica”, diz a nota.

O Ministério da Cidadania acrescenta que indícios de ilegalidade são informados à Polícia Federal, e que o CPF de Vinicius foi inserido na lista de inelegíveis. Reportagem do jornal O Globo, de 21 de maio, mostrou que a falta de checagem da renda familiar dos requerentes do benefício facilitou a irregularidade.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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