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HazteOir.org/Flickr
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#Verificamos: É falso que estudo com 60 mil pessoas na Espanha mostre ‘ineficácia das quarentenas’

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
22.maio.2020 | 18h15 |

Circula pelas redes sociais um texto sobre um estudo feito na Espanha com mais de 60 mil pessoas durante a pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. De acordo com a publicação, a pesquisa teria mostrado a ineficácia de quarentenas ou de medidas de isolamento social. O levantamento teria concluído que trabalhadores ativos têm menor incidência de contágio. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“Estudo com mais de 60 mil pessoas na Espanha mostra a ineficácia das quarentenas”
Título de texto do site Gazeta Brasil que, até as 16h de 22 de maio de 2020, tinha 520 compartilhamentos no Facebook

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O estudo citado no texto, chamado ENE-Covid19, é uma iniciativa de grande escala que prevê várias etapas. A pesquisa está sendo realizada na Espanha por meio de uma parceria entre o Ministério da Saúde, o Instituto de Saúde Carlos III e as secretarias de saúde de todas as comunidades e cidades autônomas do país. Seu objetivo está em medir o ritmo de avanço do coronavírus pelo território, a partir da análise do percentual da população que apresenta anticorpos contra o vírus. Não faz parte da análise avaliar a eficácia do isolamento social. Não há nenhum dado relacionado a isso e nenhuma uma conclusão sobre esse tema no primeiro relatório preliminar, divulgado em 13 de maio

As análises vão continuar ao longo do tempo, para acompanhar a disseminação da doença. Os resultados da primeira etapa mostraram que aproximadamente 5% da população da Espanha desenvolveu anticorpos contra a Covid-19. Participaram do levantamento 60.897 pessoas com testes válidos para detectar a imunização contra o coronavírus. O estudo detalha esses porcentuais de acordo com gênero, idade, nacionalidade, presença de doenças crônicas, categoria de trabalho e região.


“O estudo mostrou uma menor incidência de contágio pela covid-19 entre trabalhadores ativos que estão exercendo sua atividade profissional normalmente e saindo de casa todos os dias”
Título de texto do site Gazeta Brasil que, até as 16h de 22 de maio de 2020, tinha 520 compartilhamentos no Facebook

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O estudo tem uma categoria específica para comparar o nível de contágio entre os diferentes tipos de ocupação, mas não especifica porcentuais para os que realizam atividade em casa ou para aqueles que saem todos os dias. Ainda assim, 5,8% dos trabalhadores em atividade apresentaram imunização contra a Covid-19, ou seja, tiveram contato com o vírus e desenvolveram defesas contra ele. Foi a segunda maior taxa registrada, ou seja, trata-se do segundo grupo que teve mais exposição ao vírus em toda a Espanha.

O número só é inferior ao da categoria dos aposentados, com 6,1%. Em seguida estão trabalhadores domésticos (4,5%), pessoas incapazes de trabalhar (4,2%), pessoas que realizam atividades de caridade (3,7%), estudantes (3,6%), desempregados (3,3%) e outros (3,1%). 

A pesquisa traz ainda um recorte dos trabalhadores em atividade em dois grupos. O primeiro é o dos que se dedicam a serviços essenciais, no qual 5,3% apresentaram anticorpos contra a Covid-19. No segundo, que engloba todos os que não prestam serviços essenciais, o grau de contaminação foi de 6,3%. Não é possível saber, no entanto, quantas dessas pessoas estavam em isolamento ou exerciam suas atividades regularmente. 

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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Os dados são mais graves do que a informação
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FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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