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#Verificamos: É falso que número de óbitos por Covid-19 caiu no Rio de Janeiro após operação da PF 

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
02.jun.2020 | 12h56 |

Circula nas redes sociais que o número de óbitos por Covid-19 teria caído no Rio de Janeiro após uma operação da Polícia Federal. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Foi só a Polícia Federal chegar no RJ que os mortos por Covid-19 estão “dismorrendo”? Já dismorreu 1.177”
Texto de imagem que, até às 17h do dia 1º de junho de 2020, tinha sido compartilhado por mais de 500 pessoas no Facebook

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A prefeitura do Rio de Janeiro modificou os critérios de contabilidade de óbitos por Covid-19 no município no dia 26 de maio. Com isso, o número de mortes pela doença, naquele dia, estava 1.177 menor que os números da Secretaria Estadual de Saúde. Essa mudança não teve qualquer relação com a Operação Placebo, da Polícia Federal (PF), que também aconteceu na mesma semana. Essa operação teve como alvo o governo do estado.

Em 26 de maio, após passar 5 dias sem divulgar o número de mortes por Covid-19 na cidade, a prefeitura do Rio anunciou um novo método de contagem das mortes causadas pelo novo coronavírus. O órgão passou a considerar óbito pela doença apenas aqueles que têm um atestado de óbito alegando o novo coronavírus como a causa da morte, tendo como base informações repassadas pela Coordenação Geral de Conservação e Serviços (CGCS), responsável pela administração dos cemitérios da cidade.

Uma reportagem da GloboNews mostrou que, neste dia, o Painel Rio Covid-19 mostrava que a capital teve 1.801 óbitos, enquanto o painel do estado apontava 2.978 mortes – ou seja, uma diferença de 1.177 pessoas mortas. 

Posteriormente, a prefeitura do Rio passou a divulgar os dois dados no painel. Foi incluído também, o número de óbitos suspeitos. Na manhã de 2 de junho, o painel mostrava 3.671 mortes confirmadas e 1.039 em investigação, segundo o Ministério da Saúde. Trata-se, na verdade, dos números da secretaria estadual. Ao lado, apareciam os números creditados à CGCS: 2.135 óbitos e 2.502 casos suspeitos. Ou seja, o número total de mortes é parecido (4.710 e 4.637, respectivamente), mas a administração municipal considera uma proporção maior dos casos como “suspeitos”.

Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde disse que essa mudança oferece “uma informação complementar, com outra metodologia, para ajudar a entender a dinâmica dos óbitos pela doença de forma mais imediata”, diz a nota. Apesar da alegação de que a mudança visa adotar uma abordagem mais “dinâmica”, é nítido que o número de óbitos não esclarecidos é consideravelmente maior na nova metodologia. 

Essas mudanças todas não tem relação com a PF. A assessoria de imprensa da instituição comunicou que não tem informação sobre investigação do órgão sobre os dados de óbitos por Covid-19 no Rio de Janeiro. A PF fez operações no Rio de Janeiro recentemente, mas nenhuma delas tinha como objetivo revisar os números de mortos do estado ou da capital. 

Na semana passada, a PF deflagrou a Operação Placebo. Ela não tem qualquer relação com a prefeitura do Rio de Janeiro. Nesta operação, a polícia apura supostos desvios de recursos públicos destinados ao combate à Covid-19 no estado do Rio de Janeiro. Ao todo, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão. A antiga casa do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (MDB), foi um dos locais em que a PF esteve. 

Essa não é a primeira vez que a Lupa desmente uma informação que uma localidade teria diminuído o número de óbitos após uma operação da Polícia Federal. Na semana passada, circulou pelas redes que o número de óbitos por Covid-19 no Ceará teria caído 90% após uma ação da PF. A Lupa classificou essa informação como falsa

Uma checagem semelhante foi feita pelo Aos Fatos.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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Os dados são mais graves do que a informação
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Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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