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#Verificamos: Presidente de Madagascar não disse que OMS ofereceu suborno para envenenar ‘cura da Covid-19’

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
03.jun.2020 | 20h00 |

Circula nas redes sociais que o presidente de Madagascar teria acusado a Organização Mundial da Saúde (OMS) de oferecer um suborno de US$ 20 milhões para “envenenar a cura da Covid-19”. Andry Rajoelina, presidente do país africano, defende, sem embasamento científico, que um chá feito com ervas locais é a cura para a doença. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Presidente de Madagáscar denúncia que a OMS ofereceu um suborno de $ 20 milhões de dólares para envenenar a cura COVID-19 baseada na planta”
Texto que circula pelo Facebook que, até às 19h do dia 3 de junho de 2020, tinha sido compartilhado por mais 200 pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O presidente de Madagascar, Andry Rajoelina, não afirmou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) ofereceu um suborno para envenenar a “cura” da Covid-19. Não foi possível encontrar essa “denúncia” nas redes sociais do presidente (Twitter, Facebook e Instagram). Além disso, o próprio Rajoelina negou boato que circula pelas redes.

No dia 20 de maio, o presidente de Madagascar afirmou que teve uma conversa “bem sucedida” com o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que teria elogiado os esforços do país na luta contra o novo coronavírus. Na ocasião, Rajoelina disse que a OMS assinou um cláusula de confidencialidade sobre a formulação da Covid Organics (CVO) – uma bebida à base de plantas. Ele disse ainda que a organização iria apoiar o país na observação dos testes clínicos com a bebida. 

Lançada em abril, a bebida – feita com uma planta chamada artemísia – é defendida por Rajoelina como uma forma de tratamento da Covid-19. Ele afirma que o chá já curou diversas pessoas e chegou a provar publicamente para mostrar que ela não mataria seus consumidores. 

Em maio, o presidente disse o seguinte: “Vamos tomar este chá de ervas para nos proteger, proteger nossa família e nossos vizinhos […] e não haverá mais mortes”. A bebida vem sendo distribuída na ilha africana em duas formas: engarrafada ou como erva para fazer um chá.

Contudo, vale ressaltar que não existe uma comprovação científica de sua eficácia. Além disso, existe a preocupação de que seu consumo possa ser prejudicial a saúde, em especial dos mais jovens.

A informação que o presidente de Madagascar teria acusado a OMS circulou em diversos países, e também foi checada pela AFP, na França, Facta, da Itália, Africa Check, que atua em vários países do continente africano.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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