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#Verificamos: É falso que Hospital de Campanha do Anhembi, em SP, está vazio

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
05.jun.2020 | 13h34 |

Circula pelas redes sociais um vídeo com a afirmação de que o interior do Hospital Municipal de Campanha do Anhembi, em São Paulo, está vazio. A construção emergencial foi feita para tratar pacientes de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Durante 3 minutos e 40 segundos, as imagens também mostram leitos inacabados e aparelhos desativados, em uma grande área desocupada. Um homem de máscara circula pelo local e, enquanto são mostradas as cenas, critica o gasto público feito com a unidade de saúde. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“Inacreditável, o Hospital de Campanha do Anhembi VAZIO!!! NOSSO dinheiro !!!”
Legenda de vídeo publicado no Facebook que, até as 12h de 5 de junho de 2020, tinha mais de 1,5 mil compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O Hospital Municipal de Campanha do Anhembi não está vazio. A unidade de saúde contava com 407 pacientes internados em 4 de junho de 2020 – data em que foi gravado o vídeo –, segundo a edição 70 do Boletim Diário Covid-19 da prefeitura de São Paulo. O local esperava receber mais 55 pacientes naquele dia, transferidos de outros hospitais. Como funciona a portas fechadas, o Anhembi só atende pessoas enviadas por outras unidades com Covid-19, para evitar que esses lugares atinjam a sua lotação máxima. O hospital de campanha também registrava 2.816 altas acumuladas desde que começou a funcionar, em 11 de abril. 

A gravação que circula pelas redes sociais mostra uma ala ainda desocupada do Anhembi. A capacidade total da unidade pode chegar a 1.800 leitos, mas os espaços só serão ocupados e ativados se houver demanda. O vídeo analisado pela Lupa é um trecho curto de uma visita feita pelo deputado estadual Coronel Telhada (PP-SP), ao lado de outros parlamentares, ao hospital. Na gravação original – disponível em duas partes no YouTube (1 e 2) , que somam 1 hora –, ele mostra também a ala que está ocupada por pacientes e em nenhum momento diz que toda a unidade está vazia.

O trecho analisado pela Lupa foi extraído da segunda parte. “O que o pessoal está apavorado aqui é que nós vamos mostrar que não tem ninguém nessa ala. É só justificar: ‘Não tem ninguém porque não precisou’ ou ‘Não tem ninguém porque já passou gente’. Mas o problema não é só não ter ninguém. O problema é que não tem cama, não tem equipamentos, não tem respirador, não tem nada”, diz Telhada, no início do vídeo original. Essa parte foi excluída da gravação que circula pelas redes sociais. Aos 14 minutos da segunda parte, Telhada começa a mostrar a ala ocupada do hospital.

Também participaram da mesma visita os deputados estaduais Adriana Borgo (PROS-SP), Marcio Nakashima (PDT-SP), Leticia Aguiar (PSL-SP) e Sargento Neri (Avante-SP). Em nota, a prefeitura de São Paulo afirmou que os parlamentares invadiram o hospital de campanha e colocaram em risco a própria saúde e a dos pacientes internados, por não estarem com equipamentos de proteção individual. “Além da invasão e das atitudes violentas, os parlamentares filmaram as alas do HMCamp do Anhembi que ainda não foram ativadas, mas que estão prontas para serem colocadas em funcionamento caso seja necessário”, diz o texto. Telhada contestou, em vídeo, a nota da prefeitura, dizendo que foram feitas acusações caluniosas e mentirosas a ele e aos outros parlamentares.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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FALSO
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