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#Verificamos: É falso que policial de São Paulo resgatou a mãe viva de um ‘saco para defuntos’

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
17.jun.2020 | 20h10 |

Circula pelas redes sociais um vídeo com a entrevista de um policial militar que afirma ter invadido um hospital para verificar se a mãe, internada com Covid-19, estava viva. Em seguida, são mostradas imagens de uma idosa sobre um saco plástico, deitada em uma maca. Segundo texto inserido na gravação, trata-se de Joana Pereira dos Santos Araque, de 66 anos, que teria sido dada como morta por Covid-19 no Hospital Getúlio Vargas. A legenda diz que o caso aconteceu em São Paulo, e que a mulher estava em um saco para defuntos quando o filho chegou. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“*DENÚNCIA GRAVÍSSIMA*

MÃE DE POLICIAL DE SÃO PAULO JÁ ESTAVA COMO MORTA!

O FILHO SUBIU ATÉ O LEITO DA MAE, MAS ELA JA ESTAVA DENTRO DE UM SACO PARA DEFUNTOS.

ESTÃO MATANDO AS PESSOAS PARA CAUSAR TERROR NA POPULAÇÃO!

CANALHAS, CARNIÇAS!”

Legenda de vídeo publicado no Facebook que, até as 18h de 17 de junho de 2020, tinha mais de 52 mil compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O policial Moisés Arancíbia, entrevistado no vídeo, trabalha em Manaus (AM), não em São Paulo. No início de maio, ele se confundiu ao ver uma gravação com imagens de uma idosa deitada sobre um saco plástico. Por causa do vestido, achou que fosse sua mãe, internada com Covid-19 no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), na capital amazonense. O PM invadiu o local para confirmar se ela estava viva. Depois disso, gravou o depoimento para um site, o Portal do Holanda. A página publicou uma correção ao descobrir que tudo não passava de um engano.

A mãe do PM, Joana Pereira dos Santos Araque, havia sido internada com o novo coronavírus em 27 de abril. Ela jamais foi colocada sobre um saco plástico para que fosse enterrada viva. Por telefone, a assessoria de imprensa do HUGV afirmou que, depois do episódio, ela se recuperou da doença e teve alta. A instituição e a Secretaria de Saúde do Amazonas negaram que ela fosse a idosa mostrada no vídeo assistido pelo PM. 

A mulher filmada sobre um saco plástico, cujo nome tem as iniciais A. V. S., estava, na verdade, no Hospital Abelardo Santos, em Belém (PA), em 5 de maio. Ela aguardava a internação, mas seu estado de saúde piorou. As imagens mostram o momento de transferência para uma outra maca – o procedimento é feito com o auxílio de um saco plástico. A idosa foi levada para uma ala destinada a pacientes em estado crítico, mas não resistiu e morreu. O vídeo foi compartilhado sem autorização da família, acompanhado de uma legenda com a afirmação falsa que ela teria sido resgatada após tentativa de enterrá-la viva. O caso foi desmentido pela Lupa em 7 de maio.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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