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Foto: Polina Tankilevitch/Pexels
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#Verificamos: É falso que vacina financiada pela Fundação Gates seja a mesma desenvolvida por empresa chinesa

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
18.jun.2020 | 18h03 |

Circula nas redes sociais a informação de que a vacina contra a Covid-19 financiada pela Fundação Bill e Melinda Gate seria a mesma desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac Biotech, que terá fase de testes em humanos no Brasil. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Não se enganem, a mesma vacina de Bill Gates e Melinda Gates será a mesma de Xi Jinping e outros países. Todos os países que fazem parte da Nova Ordem Mundial tem um acordo global com essa vacina, podem até mudar de nome para não dispersar o medo na população. O que mais revolta é a probabilidade da vacina ser obrigatória”
Texto publicado no Facebook que, até o dia 18 de junho, tinha sido compartilhado por 163 pessoas.

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A vacina INO-4800, financiada pela Fundação Bill e Melinda Gates, e a CoronaVac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac Biotech não são a mesma. Além de não serem desenvolvidas pelo mesmo laboratório, as vacinas possuem diferentes metodologias de testagem e tecnologia de elaboração.

A CoronaVac está sendo desenvolvida com uma tecnologia mais antiga para a criação de vacinas. Nesse modelo, o vírus inativado é injetado no organismo para motivar a criação de anticorpos. Esse é o tipo mais tradicional de imunização. A vacina contra a poliomielite, por exemplo, foi desenvolvida com este método. Antes endêmica em diversas partes do mundo, essa doença está praticamente erradicada: hoje, apenas comunidades isoladas no Afeganistão e no Paquistão ainda registram casos da doença.

Já a vacina INO-4800, financiada por Bill Gates e desenvolvida pelo laboratório americano Inovio Pharmaceuticals, usa o próprio DNA do vírus para criar o antígeno. Neste caso, parte do código genético do vírus é copiado e inserido nas células por meio de um processo chamado de “eletrocorporação”. O corpo identifica o material e passa a produzir os anticorpos. Ainda não há vacinas registradas para outras doenças que usam este tipo de método que, até agora, tem sido testado para a Covid-19 por pelo menos 20 laboratórios. Mais informações para a Coronavac e para a INO-4800 podem ser encontradas no site Clinical Trial, mantido pela Biblioteca Nacional de Medicina, do governo americano.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lista 139 vacinas que estão sendo desenvolvidas atualmente contra a Covid-19. Destas, 11 estão na fase de testes clínicos, com humanos, incluindo ambas as vacinas citadas. A Sinovac anunciou os resultados das duas primeiras fases de testes da CoronaVac na semana passada. A terceira fase será realizada no Brasil, com 9 mil voluntários. Já a INO-4800 ainda está na primeira fase de ensaios.

Outras peças de desinformação sobre a CoronaVac (aqui) e sobre a INO-4800 (aqui) foram checadas pela Lupa

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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