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#Verificamos: É falso que vacina da Sinovac foi testada apenas em macacos

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
18.jun.2020 | 14h39 |

Circula nas redes sociais que a farmacêutica chinesa Sinovac irá usar 9 mil paulistas como cobaias para testar uma vacina contra a Covid-19 que só foi testada em macacos. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Em vez de testar em chineses, laboratório chinês que só testou vacina em macacos, vai usar 9.000 paulistas como cobais (…)”
Texto de imagem que, até às 11h do dia 18 de junho de 2020, tinha sido compartilhado por mais de 100 pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A vacina CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, foi testada em 743 voluntários com idades entre 18 e 59 anos na China em duas fases de testes clínicos. A primeira fase contou com 143 voluntários, enquanto a segunda teve 600. Em seu site, a empresa afirma que não houve “eventos adversos” durante as etapas e que, na fase II, mais de 90% dos voluntários apresentaram “anticorpos neutralizantes”. A Sinovac acredita que a vacina pode induzir uma resposta imune positiva para a Covid-19.

Apesar de a Sinovac ter divulgado números gerais sobre o teste com humanos, os resultados da pesquisa ainda não foram divulgados publicamente e revisados. Por isso, os números apresentados pela empresa devem ser vistos com cautela. Essa situação, contudo, não é inédita. O mesmo vale para outra vacina que será testada no Brasil, que está sendo desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Oxford

Em ambos os casos, os pesquisadores publicaram somente pesquisas dos testes pré-clínicos da vacina, com macacos. As duas vacinas estimularam o desenvolvimento de anticorpos contra a doença. A CoronaVac também eliminou a presença do vírus no organismo dos animais. No caso da vacina inglesa, contudo, foi detectada a presença do vírus nas fossas nasais dos indivíduos vacinados.

Os testes com humanos na China começaram em abril. Na semana passada, o Instituto Butantan e a Sinovac assinaram um acordo para testar a vacina no Brasil. A terceira fase do ensaio clínico da CoronaVac pretende contar com 9 mil voluntários brasileiros e deve começar a partir de julho. Para essa fase, o Butantan irá preparar centros em todo o país para conduzir a pesquisa. Caso a vacina seja aprovada, a Sinovac e o Butantan vão firmar um segundo acordo para transferir a tecnologia para a produção em escala da CoronaVac, o que permitiria o desenvolvimento em massa da vacina no Brasil.

Atualmente, a Organização Mundial da Saúde aponta que existem 136 vacinas contra a Covid-19 que estão sendo estudadas. 11 delas estão em fase de ensaio clínico, ou com humanos. A CoronaVac, da farmacêutica Sinovac, é uma delas. 

Não é a primeira vez que uma informação falsa sobre a CoronaVac circula nas redes sociais. Nesta semana, perfis em redes sociais acusaram, falsamente, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), de ter assinado o contrato com a Sinovac em agosto de 2019, portanto antes da doença ser descoberta. Essa teoria da conspiração partiu de uma fala do governador durante o anúncio da parceria, na qual ele citou a inauguração de um escritório comercial de São Paulo em Xangai em agosto daquele ano.


“(…) e ainda vai embolsar R$ 85 milhões sem licitação, do governo Doria-PSDB”
Texto de imagem que, até às 11h do dia 18 de junho de 2020, tinha sido compartilhado por mais de 100 pessoas

AINDA É CEDO PARA DIZER

O acordo entre o Instituto Butantan e a farmacêutica Sinovac não envolve transferência de dinheiro, uma vez que o compromisso é que o instituto faça a terceira fase do ensaio clínico. Contudo, o presidente da entidade, Dimas Covas, acredita que será necessário um investimento de R$ 85 milhões para realizar o ensaio clínico no Brasil. Esse valor seria utilizado na operacionalização dos exames, e não para pagar a farmacêutica chinesa. O cálculo é baseado em outros estudos clínicos já produzidos pelo Butantan.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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Os dados são mais graves do que a informação
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Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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