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#Verificamos: É falso que cloroquina está sendo distribuída gratuitamente ‘em toda a Europa’

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
24.jun.2020 | 18h54 |

Circula nas redes sociais que a cloroquina, medicamento já usado no tratamento e profilaxia da malária, estaria sendo distribuída gratuitamente em toda a Europa para tratamento da Covid-19. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

 

“Quem foi na conversa da Globo e Lulalaus tá na cova. Cloroquina tá sendo destribuida gratuitamente em toda Europa (sic)
Frase publicada no Facebook que , até o dia 24 de junho, foi compartilhada por 385 pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Diversos países europeus proibiram o uso de cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento para casos de Covid-19, incluindo Itália, França e Portugal. Em outros, o uso desses medicamentos em tratamentos para o novo coronavírus não é proibido, mas tampouco é recomendado pelas autoridades sanitárias – nessa lista estão Bélgica, Alemanha e Dinamarca, por exemplo. Em documento publicado no final de maio, a Agência Europeia de Medicamentos (AEM) alertou para os riscos do tratamento com cloroquina e frisou que sua eficácia para o tratamento de Covid-19 não é cientificamente comprovada.

A Itália e a França suspenderam o uso do medicamento em 26 de maio, após publicação de pesquisa na revista The Lancet que mostrou ineficácia do remédio no tratamento da doença. Portugal suspendeu o uso dois dias depois. Embora essa pesquisa, em particular, tenha sido retirada do ar pelo uso de dados pouco confiáveis, outros estudos publicados na mesma época convergiram para essa conclusão. O projeto Recovery, da Universidade de Oxford, por exemplo, suspendeu estudo com 1,5 mil pacientes ao perceber que a hidroxicloroquina não estava fazendo efeito. Assim, as suspensões foram mantidas nesses países.

Já a Bélgica desaconselha, embora não proíba, terapias com hidroxicloroquina desde 19 de maio. O Instituto Nacional de Saúde Pública, “desaconselhou fortemente” o uso da droga. Ainda assim, reportagem do jornal local Le Soir descobriu que pelo menos 5 mil pacientes foram tratados com a substância.

Outros países não tomaram decisões claras sobre a situação, mas não registram “distribuições gratuitas” do remédio. É o caso da Alemanha. A única decisão oficial no país foi o de suspender pesquisas que estavam sendo feitas com esse medicamento. A mesma medida foi tomada pelos dinamarqueses.

A Espanha é um dos poucos países que seguem na contramão deste processo. Após a proibição registrada pelos colegas europeus, o governo decidiu continuar o uso da droga. De acordo com reportagem do jornal El País, 85% dos pacientes com coronavírus no país passam por tratamento com hidroxicloroquina.

Idas e vindas da OMS

Já a posição da OMS sobre o uso de cloroquina e hidroxicloroquina causou polêmicas ao longo da pandemia. Em 25 de maio, a instituição suspendeu estudos com o medicamento dentro do projeto Solidarity, após publicação de estudo na revista The Lancet. O estudo foi removido pela revista por causa da pouca confiabilidade dos dados apresentados, e a OMS levantou a suspensão em 6 de junho. 

Dias depois, em 17 de junho, o uso da droga voltou a ser suspenso. Os pesquisadores do projeto entenderam que o medicamento não estava dando resultados.

Brasil

Já no Brasil, o protocolo mais recente publicado pelo Ministério da Saúde permite a administração do medicamento, inclusive para crianças e gestantes. Há, ainda, registros de distribuição gratuita da droga no SUS para assintomáticos. Levantamento da Folha de S.Paulo, de 16 de junho, mostra que catorze estados brasileiros utilizam a cloroquina em casos graves da doença e seis em casos leves.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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