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#Verificamos: É falso que Nobel da Paz deixou equipe de combate à Covid-19 após receber orientações para manipular dados

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
30.jun.2020 | 18h24 |

Circula nas redes sociais que o médico congolês e vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2018, Denis Mukwege, teria dito que recebeu a orientação de alterar números de casos e óbitos de Covid-19 na província de Kivu do Sul, República Democrática do Congo. O texto compartilhado no Facebook afirma que esse teria sido o motivo do médico deixar as equipes que liderava na região. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“RDC: Dr. Denis Mukwenge demite-se da equipe de resposta Covid19. “Em todo caso, não posso sujar meu Prêmio Nobel da Paz por dinheiro, fomos obrigados a considerar qualquer doença como coronavírus e qualquer morte. Além disso, o que mais me desagradou é que, depois de mais de 100 amostras, nenhuma saiu positiva. Tenha carreira a proteger e sou congoles de sangue. Ficando rico mentido é pecado diante de Deus, eu demiti-me”
Texto atribuído ao médico Denis Mukwege e publicado no Facebook que, até às 17h do dia 30 de junho de 2020, tinha sido compartilhado por mais de 400 pessoas

FALSO

O texto analisado pela Lupa não foi publicado pelo médico congolês e vencedor do Prêmio Nobel da Paz de de 2018, Denis Mukwege. Esse boato começou a circular fora do Brasil no dia 18 de junho e foi desmentido pelo próprio médico. Em seu Twitter, Mukwege indicou as redes sociais e sites oficiais que coordena e disse que, se o conteúdo não aparece nesses canais, a informação é falsa.

Em declaração à agência de notícias AFP, a assessoria de comunicação de Mukwege também negou a veracidade da declaração. “Essas palavras não são do Dr. Denis Mukwege. É inacreditável que a mídia e pessoas online compartilhem essa falsa informação quando temos contas oficiais onde sua demissão foi explicada e justificada”, disse a assessoria.

No dia 30 de março, Mukwege foi nomeado pelo governador da província de Kivu do Sul, na República Democrática do Congo, para liderar duas comissões que atuavam contra a pandemia da Covid-19 na região. Durante dois meses, ele permaneceu como vice-presidente da Comissão Multissetorial e presidente da Comissão de Saúde do local. Em sua página do Facebook, o médico publicou textos pedindo para a população permanecer vigilante em relação ao vírus (veja alguns exemplos aqui, aqui, aqui). 

Contudo, no dia 10 de junho, Mukwege pediu demissão e disse que estaria se afastando dos cargos porque encontrou dificuldades que impediram de aplicar as estratégias traçadas. As duas principais dificuldades listada pelo médico era a impossibilidade de testes rápidos na província e falta de medidas de prevenção. Ele disse ainda que houve problemas organizacionais, mas não detalhou o que isso significava exatamente. Em nenhum momento o vencedor do Nobel da Paz disse que estaria deixando os cargos por estar ocorrendo uma manipulação nos números de casos e óbitos de Covid-19.

O médico congolês recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2018 pelo seu trabalho atendendo vítimas de abuso sexual na República Democrática do Congo. Uma reportagem da BBC estima que Mukwege tenha tratado mais de 30 mil pessoas.

Essa informação também foi verificada pela plataforma italiana Facta, pela agência de notícias Reuters e pela BBC.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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