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#Verificamos: É falso que detentos soltos por causa da Covid-19 cometeram 13,9% dos homicídios em abril

Editor | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
08.jul.2020 | 15h53 |

Circula nas redes sociais que detentos que foram libertados provisoriamente por causa da pandemia de Covid-19 cometeram 13,9% dos homicídios no mês de abril. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Quer dizer que os presos soltos pelo Covid-19 já correspondem a 13,9% dos homicídios em abril? Alguém avisa aos iluminados governadores dos estados e ministros do Supremo, que os presos soltos pelo Covid-19 já matam mais do que o Covid-19. Espero ter ajudado!”
Imagem em post publicado no Facebook que, até as 14h de 8 de julho de 2020, tinha sido compartilhado por cerca de 500 pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Não existe nenhuma compilação estatística nacional sobre a autoria de homicídios, visto que, na maioria dos casos, o autor não é conhecido. O número citado nessa peça de desinformação, de 13,9%, refere-se, na verdade, às vítimas de homicídios no Rio Grande do Sul, segundo reportagem do portal UOL, e não aos autores dos crimes.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, 22 detentos soltos provisoriamente por causa das medidas preventivas contra a Covid-19 foram mortos após deixar a cadeia, entre os dias 1º e 28 de abril. Esse número corresponde a 13,9% do total de mortes violentas no estado nesse período. 

O porcentual de homicídios esclarecidos no Brasil, embora não haja estudos nacionais sobre o tema, é sabidamente baixo. Em 2018, por exemplo, a Lupa analisou todos os casos de 2016 no Rio de Janeiro, e verificou que apenas 6,5% dos homicídios no estado resultaram em ação penal. Estudo do Instituto Sou da Paz, feito em São Paulo em 2013, chegou a conclusão similar: 79% dos homicídios não tinham um autor conhecido. Também em 2013, série de reportagens da Gazeta do Povo mostrou que 77% dos assassinatos em Curitiba ocorridos entre 2004 e 2013 não resultaram em processo. Portanto, não é possível saber com precisão quem são os autores dos homicídios cometidos há alguns meses, e muito menos quantos deles são pessoas que saíram recentemente da prisão.

Vale pontuar que, segundo dados do Ministério da Saúde, a Covid-19 foi responsável, em pouco mais de três meses, por 66.741 mortes em solo brasileiro. Em 2017, a violência fez 64.078 vítimas – naquele ano houve o maior número absoluto de mortes violentas intencionais na série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes

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