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#Verificamos: Fiocruz não desenvolveu estudos iniciais da vacina de Oxford contra Covid-19

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
13.jul.2020 | 19h37 |

Circula nas redes sociais que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) seria a responsável pelo desenvolvimento de uma vacina que estaria na terceira fase de testes clínicos. O texto afirma que a fundação não tinha a tecnologia necessária para desenvolver a vacina e nem o apoio do governo federal. Eles teriam procurado a Universidade de Oxford para passar esse conhecimento, possibilitando o desenvolvimento da vacina. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Nós tínhamos a solução aqui, desenvolvida por nossos compatriotas e desprezada por um governo obtuso e cruel! Parabéns Fiocruz! Vacina em estágio 3! (…) Porém, a Fiocruz não tinha a tecnologia para desenvolver a vacina, mas sabia como deveria ser feito. Procurou o Governo Federal na época e este não deu ouvidos, não autorizou auxílio financeiro e desprezou a pesquisa! A Fiocruz se uniu ao Butantan em São Paulo que se comunicou com Oxford…”
Texto que circula pelo Facebook que, até às 16h do dia 13 de julho de 2020, tinha sido compartilhada por 200 pessoas 

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A assessoria de imprensa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) informou, em nota, que a vacina ChAdOx1 nCoV-19 foi desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca. A terceira fase de testes clínicos da vacina está sendo realizada no Brasil

Em junho, as duas instituições estrangeiras firmaram acordo com a Fiocruz que prevê a compra de lotes e transferência de tecnologia da vacina. A parceria estabelece que a ChAdOx1 nCoV-19 seja testada em 5 mil voluntário brasileiros de 18 a 55 anos, já que o Brasil ainda apresenta uma curva epidemiológica da Covid-19 em ascensão. Após comprovada sua eficácia, o acordo prevê a produção da vacina em larga escala.

Em seu site, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lista 23 vacinas contra Covid-19 que já estão sob avaliação clínica, isto é, testes em humanos. Entre elas está a ChAdOx1 nCoV-19. Não há nenhuma vacina desenvolvida no Brasil entre essas candidatas. 

A OMS lista ainda outras 137 potenciais vacinas que estão em estágio pré-clínico de desenvolvimento. Entre elas, há uma imunização que está sendo estudada pela Fiocruz com o Instituto Butantan, e outra pela Universidade de São Paulo. Esses produtos ainda não estão sendo testados em humanos.


“A Fiocruz descobriu o genoma e as divisões celulares do covide no mês de abril!”
Texto que circula pelo Facebook que, até às 16h do dia 13 de julho de 2020, tinha sido compartilhada por 200 pessoas 

VERDADEIRO, MAS

Em abril deste ano, a Fiocruz Amazônia realizou o primeiro sequenciamento do genoma completo do novo coronavírus na região Norte, o que contribui para aprimorar o conhecimento sobre a pandemia. Contudo, vale ressaltar que a fundação não foi a primeira do mundo, nem do Brasil, a conseguir identificar os genes do vírus. Em janeiro, pesquisadores da China já tinham sequenciado o código genético do SARS-CoV-2.

No Brasil, os primeiros cientistas que conseguiram sequenciar o genoma do novo coronavírus foram pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, da USP e da Universidade de Oxford. A descoberta aconteceu no dia 28 de fevereiro, ou seja, 48 horas após a confirmação do primeiro caso de Covid-19 no Brasil.

Isso não significa que essa descoberta da Fiocruz não tenha importância. O vírus é um tipo de organismo que se reproduz com muita velocidade, e, por isso, a espécie sofre mutações genéticas em períodos relativamente curtos. Ou seja, o genoma do vírus que circula no Brasil hoje em dia não é, necessariamente, idêntico ao que foi sequenciado na China em janeiro, nem ao que está circulando atualmente em outras partes do mundo. Por causa disso, cientistas continuam sequenciando o genoma de diferentes versões do SARS-CoV.

No final de junho, pesquisadores da Fiocruz e da Universidade College London desenvolveram um novo protocolo para o sequenciamento genético do vírus responsável pela Covid-19. Em seu site, a fundação explica que esse novo método é mais rápido e mais barato.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
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A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
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CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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