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#Verificamos: É falso que médicos são obrigados a prescrever hidroxicloroquina para pacientes com Covid-19

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
16.jul.2020 | 15h47 |

Circula nas redes sociais que, a pedido do paciente, o médico é obrigado a prescrever a hidroxicloroquina para o combate à Covid-19, mesmo que o especialista não recomende. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“ATENÇÃO, ALERTA!!!! Quem estiver contaminado com covid-19 e pedir para ser tratado com Hidroxicloroquina, e o médico se recusar ou mesmo o hospital não permitir, peça a um familiar ir a uma delegacia e fazer um boletim de ocorrência. De posse do mesmo, volte ao hospital apresente-o ao médico e peça o documento de autorização para assinar. Se este médico se recusar a fazer a receita vá ao ministério público e peça a cassação imediata do CRM deste médico. Governadores e prefeitos estão praticando genocídio ao recolher os medicamentos das farmácias e proibir seu uso. Todas as pessoas tem o Direito de defender sua própria vida”
Legenda de imagem publicada no Facebook que, até as 15h do dia 16 de julho de 2020, tinha sido compartilhada por mais de 740 pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Em nota, o Conselho Federal de Medicina (CFM) informou que nenhum médico é obrigado a prescrever um medicamento, ou que um paciente é obrigado a tomar qualquer medicação. Além disso, não há consenso científico sobre a eficácia da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19.

Em maio, o Ministério da Saúde publicou um protocolo sobre a orientação para manuseio da cloroquina e hidroxicloroquina em pacientes com Covid-19. O próprio órgão diz que a orientação para a prescrição do medicamento não é obrigatória, já que o protocolo serve somente para dar uma linha geral sobre o manuseio da medicação. “Permanece a critério do médico, sendo necessária também a vontade declarada do paciente”, diz o texto.

Em parecer publicado em abril deste ano, o CFM esclarece ainda que não há evidências sólidas do efeito da cloroquina ou hidroxicloroquina no combate à Covid-19. No entanto, “diante da excepcionalidade da situação”, o CFM diz ser possível a prescrição do medicamento em pacientes infectados com o vírus. Contudo, não há obrigação da prescrição médica.

O parecer diz ainda que a prescrição do medicamento caberá ao médico, em decisão compartilhada com o paciente. O profissional fica obrigado a relatar ao doente “que não existe até o momento nenhum trabalho que comprove o benefício do uso da droga” para o tratamento da Covid-19, explicando os efeitos colaterais possíveis, obtendo o consentimento livre e esclarecido do paciente ou dos familiares, quando for o caso.

O CFM afirma ainda que não haverá infrações éticas ao médico que utilizar a cloroquina ou hidroxicloroquina em pacientes portadores de Covid-19.

Ciência

Nos últimos meses, estudos com hidroxicloroquina foram interrompidos por dois dos maiores grupos de pesquisa avaliando potenciais tratamentos contra a Covid-19. Em junho, o Recovery Trial, coordenado pela Universidade de Oxford, suspendeu testes com o remédio ao notar que ele não mostrou nenhum benefício no tratamento da doença em relação ao grupo de controle. Ao todo, 1.532 pacientes foram medicados, em testes randomizados.

Em julho, foi a vez do Solidarity Trial, coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), encerrar testes com hidroxicloroquina. Assim como no Recovery Trial, a droga não mostrou benefícios no tratamento. Na mesma ocasião, a OMS também suspendeu tratamentos com uma combinação dos remédios lopinavir e ritonavir, pelo mesmo motivo.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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