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#Verificamos: É falso que governador da Bahia recolheu hidroxicloroquina das farmácias e proibiu seu uso

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
17.jul.2020 | 18h54 |

Circula nas redes sociais que o governador da Bahia, Rui Costa (PT-BA), recolheu das farmácias mais de 40 mil comprimidos de hidroxicloroquina. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Rui Costa, da Bahia, recolheu das farmácias mais de 40.000 comprimidos de hidroxicloroquina”
Legenda de imagem que circula pelo Facebook que, até às 18h do dia 17 de julho de 2020, tinha sido compartilhada mais de 900 pessoas 

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Não houve recolhimento de remédios em farmácias na Bahia. O que, de fato, aconteceu foi a apreensão de medicamentos que estavam sendo distribuídos de forma irregular em uma igreja no interior do estado. Entre eles, estava a hidroxicloroquina, medicamento que não tem eficácia confirmada contra a Covid-19.

Na última quarta-feira (15), a Vigilância Sanitária da Bahia realizou operação para recolher medicamentos controlados que estavam sendo distribuídos em uma igreja no município Teixeira de Freitas. A distribuição era irregular, uma vez que o local não contava com a presença de um farmacêutico e nem tinha um alvará sanitário. Entre as substâncias fornecidas estavam a cloroquina, a hidroxicloroquina e a ivermectina, apontados como possíveis formas de tratamento da Covid-19. Não há comprovação científica da eficácia de nenhum desses três remédios no combate ao novo coronavírus.

Segundo a Lei 5.991/1973, a dispensa de medicamentos é privativa de farmácias, drogarias, e postos e dispensários de medicamentos. No caso dos medicamentos a base de cloroquina e hidroxicloroquina, o fornecimento deve ocorrer com a apresentação de uma receita especial de duas vias, de acordo com uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Essa última norma é recente, tendo sido adotada em março, no início da pandemia da Covid-19 no Brasil. Nesta época, o anúncio de que a hidroxicloroquina, supostamente, seria um medicamento eficaz contra a Covid-19 causou uma corrida às farmácias, causando desabastecimento. Isso prejudicou o fornecimento deste remédio para portadores de lúpus e outras doenças que usam o medicamento de forma contínua.

Não, na Bahia, há qualquer restrição específica ao uso ou venda da cloroquina, da hidroxicloroquina, da ivermectina ou de qualquer outro remédio. Compete à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), segundo a Lei 9.782/1999, autorizar ou vetar a comercialização de um medicamento. Autoridades estaduais ou municipais, portanto, não tem competência para isso.

O secretário da Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, gravou um vídeo sobre o caso. Ele disse que em diversas cidades do interior do estado entidades estão distribuindo o “kits Covid”, composto de cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina e outras drogas. Vilas-Boas lembra que entregar esse tipo de medicação sem receita é uma infração sanitária, que os medicamentos têm efeitos adversos e que seu uso precisa ser acompanhado por profissionais de saúde.

Essa informação também foi desmentida no site Bahia Contra o Fake, mantido pelo governo estadual.

Apesar de não existir provas sobre a eficácia da hidroxicloroquina e da cloroquina, protocolo do Ministério da Saúde permite que esses remédios sejam receitados contra a Covid-19. 

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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