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#Verificamos: É falso que incêndio em Belém foi causado por chave de carro higienizada com álcool em gel

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
17.jul.2020 | 20h24 |

Circula pelas redes sociais um alerta dos supostos perigos de se higienizar a chave de um carro com álcool em gel. De acordo com a publicação, a ignição pode emitir uma faísca quando a pessoa tentar ligar o automóvel, provocando um incêndio. Como exemplo disso, o texto cita a destruição de vários veículos na garagem de um prédio em Belém (PA). Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“AVISO IMPORTANTE PARA QUEM DIRIGE: Não higienize a chave do carro com álcool em gel ou líquido 70%. Muitos acidentes estão ocorrendo por isso. O incêndio que houve em uma garagem em Belém, foi decorrente de uma chave de carro higienizada com álcool gel 70%, que ao ser colocada na ignição do veículo gerou uma faísca e acabou incendiando o veículo”
Texto de imagem em post publicado no Facebook que, até as 18h de 17 de julho de 2020, tinha 196 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O Corpo de Bombeiros Militar do Pará informou, em nota, que não registrou nenhuma ocorrência no estado causada pelo álcool em gel. Questionado sobre se o produto causou um incêndio na garagem de um prédio em Belém (PA) por ter sido supostamente passado na chave de um carro, o órgão disse que a informação não procede e a classificou como “fake news”. “A chave, mesmo sendo higienizada com o álcool, não teria potencial de incendiar um veículo”, diz o texto.

O caso citado no post ocorreu em 2 de junho no Edifício Rio San Juan, localizado no bairro Umarizal, na zona centro-sul de Belém. O fogo começou por volta das 6h na garagem térrea do prédio e só foi controlado por volta das 16h. De acordo com relato do incidente feito pela assessoria de comunicação do Corpo de Bombeiros, 20 veículos foram atingidos pelas chamas, sendo que 12 deles apresentaram perda total. Não houve problemas estruturais que exigissem a interdição do local, segundo a Defesa Civil.

Em entrevista à CBN, o síndico do edifício, Valneci Soares, afirmou que o dono do veículo onde começou o incêndio não higienizou a chave com álcool em gel. Ele teria estacionado o automóvel na garagem no início da noite do dia 1º de junho. O fogo só começou no início da manhã seguinte, sendo que o proprietário não usou mais o carro. Logo, seria impossível que uma faísca na ignição pudesse ter causado o desastre.

Mesmo que tivesse sido usado álcool em gel na chave, seria difícil ocorrer um incêndio, segundo o professor Giovanni Manassero Junior, do Departamento de Engenharia de Energia e Automação Elétricas da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). “A notícia se encaixa no estereótipo das fake news”, disse, por e-mail. “Me parece pouco provável que a quantidade de álcool em gel que sobra em uma chave de ignição possa provocar um incêndio e destruir um veículo, especialmente quando há um responsável (o motorista que inseriu a chave e deu a partida) que pode conter qualquer princípio de incêndio com o extintor do mesmo.”

Uma versão semelhante dessa checagem foi feita pelo Fato ou Fake.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌

Editado por: Chico Marés

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