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No epicentro: Lupa lança produto de impacto visual sobre mortes por Covid-19

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
24.jul.2020 | 10h00 |

E se todos os mortos por Covid-19 fossem seus vizinhos? Com essa pergunta em mente, a Lupa, em parceria com o Google News Initiative, desenvolveu um produto de visualização de dados para colocar o leitor no centro da epidemia, simulando como ficaria sua vizinhança se todos os mortos pela doença se concentrassem ao seu redor. O resultado é o No epicentro, ferramenta que a agência lança nesta sexta-feira.

No site, o usuário é convidado a inserir seu endereço e dar início a uma narrativa que reconta a evolução da Covid-19 no Brasil. Essa narrativa, no entanto, toma a localização do leitor como o início da pandemia no país e, a partir daí, indica o espaço territorial ao seu redor onde deixariam de existir pessoas caso todas elas correspondessem aos mais de 80 mil mortos pela doença já registrados no Brasil. A ferramenta leva em consideração os dados registrados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a concentração populacional no Censo 2010.

O objetivo de No epicentro é mostrar ao usuário, a partir de referências familiares, o tamanho da epidemia no país. Ainda que o resultado da simulação não seja um reflexo exato da realidade, colocar todas as vítimas do novo coronavírus “ao lado” do usuário é uma forma de aproximar a tragédia da percepção de cada um.

“A maioria das pessoas, inclusive eu, tem dificuldade em interpretar números: vemos que morreram dezenas de milhares de pessoas, mas é difícil dar um significado a isso. O número cria uma distância entre nosso entendimento e a experiência de cada vítima e das famílias que sofrem com a perda. E se fosse possível apresentar números frios de um jeito pessoal? E se falamos ao leitor: para ver o tamanho da catástrofe, pense que todos os mortos morassem na sua vizinhança. No Epicentro é isso. Ele faz com que os números frios sejam pessoais e próximos, dando uma dimensão humana à tragédia”, explicou Alberto Cairo, um dos maiores profissionais de visualização de dados do mundo, que coordenou o trabalho.

Da concepção ao produto final, No epicentro demorou cerca de dois meses para ficar pronto. Além de Cairo, três profissionais especializados em jornalismo e narrativas visuais com dados trabalharam no desenvolvimento do produto: o designer Vinicius Sueiro, o jornalista-programador Rodrigo Menegat e o desenvolvedor Tiago Maranhão. 

“Quando começamos a pensar No epicentro, o Brasil tinha cerca de 600 mortos pela Covid-19 e já se fazia comparações com tragédias recentes, como acidentes de avião ou o incêndio na boate Kiss. No entanto, percebemos que isso parecia não assombrar as pessoas como imaginávamos que deveria e que a situação não se tornaria mais fácil, o que, de fato, se comprovou. A ideia de gerar empatia e impacto visual para o problema foi o nosso norte desde o início”, diz Natália Leal, diretora de conteúdo da Lupa e gerente editorial do projeto.

No epicentro contou com o apoio do Google News Initiative. A partir de seu lançamento, o aplicativo é atualizado diariamente – e assim seguirá enquanto óbitos por Covid-19 forem registrados no Brasil. Dessa forma, será possível acompanhar a evolução do número de mortes, inclusive com a visão das cidades que desapareceriam do mapa brasileiro. A ideia é que nunca nos esqueçamos das vidas perdidas neste momento de 2020.

“Um dos grandes desafios do jornalismo é transmitir informações complexas e densas de modo que o maior número de pessoas seja alcançada e possa refletir sobre as principais questões que nos cercam. O No Epicentro faz exatamente isso: coloca em destaque a maior crise do século por meio de uma experiência interativa sofisticada e acessível. A Google News Initiative segue comprometida em acelerar a inovação no jornalismo, o que inclui o desenvolvimento de projetos inspiradores como o No Epicentro“, diz Marco Túlio Pires, coordenador do Google News Lab.

O desenvolvimento

A ferramenta foi desenvolvida em linguagem Python e inspirada por trabalhos anteriores de players como New York Times, Nexo Jornal e The Pudding. Os principais desafios envolveram os cálculos a partir da localização do usuário e a performance, que deveria garantir uma resposta rápida, além de uma visualização clara. Todo o trabalho, da concepção ao resultado final, foi publicado em detalhes pela equipe de desenvolvimento. No epicentro foi feito em código-aberto e pode ser replicado em qualquer lugar do mundo, mantendo a ideia de referenciamento no usuário. A Lupa não coleta ou guarda os endereços consultados e recomenda cautela no compartilhamento de dados pessoais.

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

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