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#Verificamos: Voluntária que relatou febre e dores no corpo não tomou vacina chinesa, e sim vacina de Oxford

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
27.jul.2020 | 17h33 |

 

Circula pelas redes sociais que uma carioca teria passado mal após tomar a Coronavac vacina contra Covid-19 desenvolvida pela Sinovac, que está sendo testada no Brasil em parceria com o Instituto Butantan. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“A cobaia do Dória que tomou a vacina”
Legenda da imagem que, até às 13h do dia 27 de junho de 2020, tinha sido compartilhado mais de 100 pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A pessoa que aparece na foto é a carioca Jackeline Desiderrio. Ela foi uma das voluntárias nos testes da vacina ChAdOx-1 nCov-19, que está sendo desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica britânica AstraZeneca. Essa vacina não tem relação com o governador João Doria (PSDB). O Instituto Butantan, vinculado ao governo de São Paulo, está realizando testes de outra imunização, a Coronavac, da chinesa Sinovac. 

Em depoimento à revista Marie Claire, Jackeline conta que sentiu febre e cansaço após tomar a vacina da Oxford. É possível que sejam efeitos colaterais da aplicação, o que não é incomum. Uma das razões para a realização de testes é, justamente, avaliar a existência e a severidade desses eventos adversos.

Outras vacinas – como a poliomielite ou o sarampo – podem ocasionar reações pequenas e temporárias no corpo. Em seu site, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) afirma que as elas são seguras, mas destaca que é possível o vacinado reclamar de dor no braço ou febre.

Além disso, é importante pontuar que os testes da vacina são duplo-cegos. Isso significa que parte dos voluntários recebeu um placebo, ao invés da substância real. Essa etapa é considerada fundamental para a avaliação da eficácia de uma imunização ou de um medicamento. Em outras palavras, é possível que Jackeline não tenha sido, de fato, vacinada.

Vacina da Oxford

Os testes da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford começaram no final do mês de junho. Naquele período, os profissionais de saúde de São Paulo passaram por uma triagem dos testes sorológicos dos voluntários. 

Em seu depoimento à Marie Claire Jackeline conta que se inscreveu para participar do estudo e foi chamada no dia 20 de julho para realizar os primeiros exames médicos. Ela tomou a vacina na última quinta-feira (23) e começou a sentir alguns sintomas no início do dia seguinte. Mesmo assim, a carioca contou que estava animada por ter participado.  

“Terei que voltar ao Instituto D’Or periodicamente para fazer os exames e ver a resposta do meu corpo em relação à vacina. Mas estou muito feliz por ter participado de um projeto tão importante, que pode exterminar, de vez, esse vírus. Se tudo der certo – e eu acredito nisso! –, logo o mundo todo estará livre desse pesadelo”, disse.

Coronavac

Os testes da Coronavac no Brasil começaram no dia 21 de julho no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Nesta terceira fase, o estudo vai contar com a presença de nove mil profissionais de saúde e a previsão é que os testes sejam concluídos em outubro. Nesta segunda-feira (27), o governador João Doria (PSDB) afirmou que a vacina deve começar a ser distribuída para a população em janeiro de 2021.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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SUBESTIMADO
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Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
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