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Foto: Georgia Army National Guard
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#Verificamos: É falso que OMS removeu maconha da categoria de drogas ilícitas

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
29.jul.2020 | 16h00 |

Esta publicação foi corrigida às 14h39 do dia 30 de julho de 2020. Veja abaixo.

Circula pelas redes sociais que a Organização Mundial da Saúde (OMS) teria removido a maconha da categoria de drogas ilícitas. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“A OMS removeu a maconha da categoria de drogas”
Título de texto publicado no site Medicina News que, até às 15h do dia 29 de junho de 2020, tinha sido compartilhado mais de 2,5 mil pessoas no Facebook

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A assessoria de imprensa da Organização Mundial de Saúde (OMS) informou, em nota, que a cannabis é uma droga e que a entidade “não fez qualquer divulgação recente sobre o tema”. Em seu site, a OMS caracteriza a maconha como a droga ilícita mais “cultivada, traficada e abusada”. Segundo a organização, ela é responsável pela metade das apreensões de drogas no mundo.

A maconha pode acarretar diversos problemas de saúde. Segundo a OMS, a substância pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo e o desempenho psicomotor (coordenação motora e atenção dividida). Além disso, seu uso pode causar lesões na traquéia e brônquios e o desenvolvimento de uma síndrome de dependência. 

Embora a OMS classifique a maconha como uma “droga ilícita”, em vários países o uso recreativo da substância é permitido, incluindo Holanda, Uruguai e estados norte-americanos como a Califórnia e Colorado. 

Boato

O texto analisado pela Lupa foi publicado semana passada. Contudo, é provável que esse boato tenha como inspiração uma reportagem divulgada pelo jornal MJBizDaily em janeiro de 2019. Naquela ocasião, o veículo tornou público um documento de um comitê da OMS que traçava recomendações sobre a maconha. 

Entre essas sugestões, o comitê aconselhava a retirada da cannabis do anexo de 4 da Convenção Única sobre Entorpecentes, tratado internacional das Nações Unidas que visa combater o abuso de drogas. Contudo, as recomendações presentes nesse documento não foram aprovadas pela OMS até o momento.  

Pandemia da Covid-19

Apesar dos efeitos nocivos, a maconha ou seus derivados tem propriedades terapêuticas. Em algumas partes do mundo, incluindo partes dos Estados Unidos, a droga pode ser receitada diretamente como analgésico ou para o controle de náusea, especialmente para pacientes sob quimioterapia. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso de derivados da maconha em 2019. Contudo, a maconha em si continua sendo ilegal.

Segundo reportagem do jornal O Globo, durante a pandemia da Covid-19, o tratamento à base de cannabis medicinal aumentou no Brasil. Essa droga pode ser utilizada para aliviar transtornos psicológicos como depressão e ansiedade, sintomas comuns para algumas pessoas durante o período de isolamento.

Esse boato também foi verificado pelo Estadão Verifica.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Correção às 14h30 do dia 30 de julho: A maconha é listada como uma droga ilícita no Anexo 4 da Convenção Única sobre Entorpecentes, da ONU, e não do Anexo 6, como informado inicialmente.

Editado por: Chico Marés

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