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Foto: Elói Corrêa/GOVBA
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#Verificamos: É falso que Camila Pitanga tem Covid-19 e ‘fingiu pegar malária’

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
12.ago.2020 | 19h20 |

Circula pelas redes sociais que a atriz Camila Pitanga estaria com Covid-19, mas que teria dito que está com malária para tomar cloroquina “sem dar o braço a torcer”. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Malandra é a Camila Pitanga que diz que pegou malária no Leblon para poder tomar cloroquina sem dar o braço a torcer”
Texto em imagem publicada no Facebook que, até às 19h do dia 12 de agosto de 2020, tinha sido compartilhado mais de 900 pessoas 

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Diferente do que o post afirma, a atriz Camila Pitanga realmente foi diagnosticada com malária após permanecer em isolamento social em Barra do Una, praia localizada no litoral de São Paulo. Na última segunda-feira (10), Camila publicou, em seu Instagram, fotos de documentos médicos que mostram que ela e sua filha, Antonia Pitanga, testaram positivo para a doença.

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Foram 10 dias de muito sufoco. Entre picos de febre alta, calafrios e total incerteza. Havia a sombra da possibilidade de estar com covid-19. Somente no domingo recebi o resultado negativo do meu PCR. Mas no lugar de me aliviar, permanecia a agonia pois eu não fazia ideia do que eu poderia ter. Estava à deriva. Pois bem, uma amiga minha suspeitou que esses picos de febre associados ao fato de estar em isolamento social numa zona de Mata Atlântica no litoral de SP, podia ser malária. Fui indicada a conversar com dois infectologistas. Os dois extremamente generosos em falar comigo num domingo já de noite. Dr Luiz Fernando Aranha e o Dr André Machado. Agradeço ao último pelas orientações que me levaram ao Hospital das Clínicas da USP. Uma vez que a supeita era malária, doença muito rara, não há melhor lugar para você ser tratado do que a rede SUS, local de referência e excelência para doenças endêmicas. No HC, fui prontamente atendida por uma mulherada. Sim, uma equipe 100% de mulheres fantásticas do laboratório da Sucen. Faço questão de dar seus nomes: Drª Ana Marli Sartori, Drª Silvia Maria di Santi, Drª Dida costa, Drª Simone Gregorio, Drª Renata oliveira e tão importantes quanto, as agentes de saúde Cida Kikuchi e Gildete Santos. Todas foram extremamente profissionais, eficientes e gentis. Bom, os resultados dos exames sairam dando positivo para malária. Eu e minha filha. Uma doença que ainda existe, é curável, mas precisa de cuidados. O tratamento é gratuito. Faço cá meus votos de gratidão a todas e todos agentes de saúde, que além de estarem na trincheira nessa luta contra a covid-19, estão aí atendendo inúmeras outras demandas com seu profissionalismo em meio a condições e incertezas muito grandes. É de suma importância valorizar a existência desse sistema de saúde que cuida de tanta gente, principalmente dos que não tem condições de pagar um plano de saúde. Estamos num país onde uma doença matou mais de 100 mil pessoas em poucos meses. Esse número poderia ser o triplo ou mais se não fosse o SUS. A catástrofe seria ainda maior. Muito obrigada e parabéns a todas e todos os profissionais de saúde desse país!!!

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No Instagram, a atriz contou que se sentiu mal nos últimos dias e temia que estivesse com Covid-19, já que seus sintomas – febre alta e calafrios – também podem ser causados pelo novo coronavírus. Contudo, Camila realizou um teste RT-PCR e o resultado foi negativo. Pelo WhatsApp, a assessoria da atriz encaminhou uma foto que mostra que ela, de fato, não testou positivo para Covid-19

Depois que a Covid-19 foi descartada, Camila conversou com especialistas sobre os seus sintomas. “Com orientação de infectologistas, suspeitou que pudesse ser Malária, diagnóstico então confirmado pela equipe da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), do Hospital das Clínicas [da USP], diz nota encaminhada pela assessoria. “Informamos ainda que Camila e sua filha estão bem e seguem em tratamento clínico. Quaisquer informações diferentes destas são, portanto, inverídicas.”

Camila está tomando cloroquina e primaquina para se recuperar. A cloroquina é utilizada desde os anos de 1930 para tratar malária e tem a sua eficácia comprovada para essa doença específica. 

Desde o início da pandemia da Covid-19, esse remédio foi amplamente divulgado como a “cura do novo coronavírus”. Contudo, essa informação é incorreta. Há estudos clínicos randomizados e duplo-cegos que comprovaram que a hidroxicloroquina não é eficaz no tratamento da Covid-19 nem no início da doença, nem em casos mais graves.

Malária

A malária é uma doença infecciosa, causada por protozoários e transmitida por mosquitos do gênero Anopheles, que causa febre, calafrios, tremores, sudorese e dor de cabeça. Ela é considerada um doença grave, endêmica em regiões tropicais e subtropicais do planeta. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, em 2018, 228 milhões pessoas foram diagnosticada com a doença, sendo que 405 mil morreram.

No Brasil, os casos de malária se concentram especialmente na região Amazônica, porém também há casos registrados em áreas de Mata Atlântica – bioma no qual se situa a Barra do Una. O Ministério da Saúde informa que os dados preliminares de 2019 mostram 157.453 casos da doença no Brasil.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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