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Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
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#Verificamos: É falso que João de Deus denunciou envolvimento de ministros do STF com prostituição em delação

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
26.ago.2020 | 18h00 |

Circula nas redes sociais que o médium João de Deus teria acusado dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em uma delação. De acordo com o texto, Gilmar Mendes e Luiz Fux estariam envolvidos com casos de prostituição. A publicação também cita que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ex-presidente Dilma Rousseff faziam reuniões na casa Dom Inácio de Loyola, espaço usado pelo médium para realizar atendimentos. João de Deus foi condenado neste ano por abuso sexual e porte ilegal de armas. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“A delação hecatômbica de João de Deus
Gilmar Mendes e Fux denunciados. João de Deus afirma que ministros do STF não saiam da casa Dom Inácio de Loyola em Abadiânia, pediam dinheiro e encontro com garotas em lugares secretos”.
Trecho de publicação no Facebook que, até as 17h do dia 26 de agosto de 2020, foi compartilhada por 968 pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O advogado de João de Deus, Anderson Van Gualberto de Mendonça, afirmou que as informações são falsas. “Como se trata de ofensas graves, contra o meu cliente e contra ministros do STF, protocolamos uma notícia crime junto com a Polícia Federal, Polícia Civil do Estado de Goiás e diretamente do STF nos autos do Inquérito nº 4.781 (Fake News)”, diz em nota. O médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, soma um total de 63 anos de prisão em condenações por crimes sexuais e posse ilegal de arma de fogo. 

O Ministério Público de Goiás (MP-GO), que iniciou as investigações e apresentou as denúncias contra João de Deus, também negou a informação. De acordo com a assessoria de imprensa da instituição, não existe nenhum acordo de colaboração premiada com o médium no âmbito do MP-GO. 

Em dezembro de 2018, quando as primeiras denúncias de abuso sexual cometidos por João de Deus vieram a público, o médium teve a prisão preventiva decretada pela Justiça de Goiás. A defesa do réu entrou com diversos pedidos de habeas corpus no Tribunal de Justiça de Goiás e no Supremo Tribunal de Justiça (STJ). Ao procurar o Supremo Tribunal Federal (STF) com dois pedidos para libertar o médium, dois ministros se declararam impedidos de julgar os casos, Gilmar Mendes e Luiz Fux. Ambos utilizaram o Artigo 145 do Código de Processo Civil e alegaram “motivo de foro íntimo” para não assumir a relatoria dos pedido. Apesar de não apresentarem os motivos da decisão, alguns ministros da Corte conheciam o médium pessoalmente. 

O advogado de João de Deus ressalta, ainda, que deve pedir a prisão das pessoas que produziram estas peças de desinformação. Em março de 2020 o réu foi transferido para prisão domiciliar devido aos riscos de contrair coronavírus.

Esta afirmação foi verificada por Aos Fatos e Fato ou Fake.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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