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#Verificamos: É falso que ‘desembargador’ que afastou Witzel foi responsável por conceder prisão domiciliar a Queiroz

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
31.ago.2020 | 20h01 |

 

Circula pelas redes sociais que o “desembargador” responsável pelo afastamento do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, é o mesmo que concedeu prisão domiciliar ao ex-assessor da família Bolsonaro Fabrício Queiroz. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Desembargador do Rio que afastou Witzel é o mesmo que soltou Queiroz”
Texto de imagem no Facebook que, até às 18h do dia 31 de agosto de 2020, tinha sido compartilhado mais de 2,3 mil pessoas 

FALSO
 

A informação analisada pela Lupa é falsa. O responsável pelo afastamento do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, não foi um desembargador do Rio de Janeiro, e sim o ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ao contrário do que circula pelas redes sociais, Gonçalves não foi o responsável por conceder prisão domiciliar a Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Essa decisão foi tomada por outro ministro do STJ, João Otávio de Noronha. 

Na última sexta-feira (28), Gonçalves estabeleceu que Witzel deveria ficar afastado do cargo por 180 dias. O governador é investigado por supostas irregularidades na contratação de hospitais de campanha e na compra de respiradores e medicamento durante a pandemia de Covid-19. O ministro determinou ainda a prisão do presidente do PSC, o pastor Everaldo Dias Pereira, e mais dez pessoas.

Witzel está recorrendo da decisão no Supremo Tribunal Federal (STF). Para a defesa do governador, seu afastamento do cargo não poderia ter sido decidida de forma monocrática – por um único ministro. Assim, ele pede a cassação da liminar. Quem deve analisar esse pedido é o ministro do STF Dias Toffoli.

Queiroz

Presidente do STJ, o ministro Noronha, e não Gonçalves, foi o responsável por conceder prisão domiciliar para Queiroz. Investigado por um esquema de “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o ex-assessor de Flávio Bolsonaro estava preso preventivamente desde o dia 18 de junho. No dia 9 de julho, Noronha aceitou o argumento da defesa de que o ex-assessor é do grupo de risco do novo coronavírus por ser portador de um câncer, e determinou que ele cumprisse a decisão em casa.

No dia 13 agosto, o ministro Félix Fischer revogou essa decisão do presidente do STJ. Contudo, a defesa de Queiroz recorreu ao STF. O ministro Gilmar Mendes aceitou o pedido. Por essa razão, atualmente, Queiroz segue em prisão preventiva domiciliar. 

Essa informação também foi verificada pelo Aos Fatos

 Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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