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#Verificamos: É falso que Bill Gates previu que vacinas contra coronavírus vão matar ou prejudicar 700 mil pessoas

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
14.set.2020 | 19h36 |

Circula pelas redes sociais um post com a afirmação de que Bill Gates, empresário, filantropo e um dos fundadores da Microsoft, teria admitido que suas vacinas contra o novo coronavírus vão causar a morte de 700 mil pessoas ou prejudicá-las. A estimativa leva em conta uma ocorrência de problema a cada 10 mil imunizações e considera que toda a população mundial receberia a vacina. Isso teria sido dito em uma entrevista para a emissora norte-americana CNBC. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Bill Gates admite que 700.000 pessoas serão prejudicadas ou mortas por suas vacinas contra o coronavírus”

Texto de imagem em post publicado no Facebook que, até as 17h de 14 de setembro de 2020, tinha 268 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Em entrevista à CNBC no início de abril, Gates fez uma estimativa sobre o número de pessoas que poderiam sofrer efeitos colaterais com vacinas contra o coronavírus, mas somente se elas não forem testadas com cuidado antes de serem aplicadas. Em nenhum momento ele mencionou que 700 mil pessoas poderiam morrer e sequer menciona óbitos em sua fala. Além disso, o número citado por ele foi apenas uma hipótese para o caso de as vacinas serem lançadas com problemas.

Ele também estimou que pode levar 18 meses para que uma imunização confiável seja produzida e destacou que o uso de tratamentos com medicamentos pode trazer um resultado mais rápido. “Nós claramente precisamos de uma vacina que funcione na faixa etária dos idosos, porque eles são os que correm mais risco. [Precisamos] fazer isso de modo que você superdimensione isso, fazendo funcionar em pessoas mais idosas e sem ter efeitos colaterais… Se você tiver efeitos colaterais em 1 em 10 mil, isso é muito, 700 mil pessoas vão sofrer isso. Realmente, entender a segurança numa escala gigante e que alcance todas as idades, grávidas, homens, mulheres, desnutridos, pessoas com comorbidades, é muito, muito difícil”, disse. A ideia, segundo Gates, é que o risco para quem for vacinado seja o menor possível e, por isso, trata-se de uma solução demorada.

Essa peça de desinformação circulou em outros países. A afirmação também foi desmentida na Alemanha, Austrália, Espanha, Estados Unidos e Polônia, segundo levantamento nas bases de dados Coronavirus Facts Alliance e CoronaVerificado.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Marcela Duarte

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