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Dilma Rousseff em 2016.  Crédito: Roberto Stuckert Filho/PR
Dilma Rousseff em 2016. Crédito: Roberto Stuckert Filho/PR

#Verificamos: É falso que Dilma mandou a população comer ovos diante de alta no preço da carne em 2014

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
15.set.2020 | 19h27 |

Circula pelas redes sociais uma imagem com a afirmação de que a então presidente Dilma Rousseff (PT) sugeriu à população que comesse ovo diante da alta do preço da carne durante o seu governo. A publicação também menciona que o quilo do feijão chegou a custar R$ 15 na gestão da petista. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“E quando o preço da carne disparou na era Dilma e ela mandou que todo mundo comesse ovo ? Memória curtinha tem esses esquerdopatas !! Ahhh mais lindo mesmo era o governo petista”

Texto em imagem de post no Facebook que, até às 17h de 15 de setembro, tinha mais de 1,7 mil compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A presidente Dilma Rousseff nunca recomendou que a população comesse ovo como alternativa à carne. Na verdade, foi o secretário de Política Econômica do seu governo em 2014, Márcio Holland, quem sugeriu frango e ovos como substitutos para a proteína bovina. Ele fez a declaração ao comentar sobre a alta da inflação daquele ano. Mais tarde, disse que foi mal interpretado.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o preço da carne bovina subiu 22,21% em 2014 e foi o item individual que mais teve impacto sobre o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Na época, Dilma afirmou que a declaração de Holland foi infeliz.


“Vou relembrar a época do governo do PT em que chegamos a pagar 15 reais num kilo de feijão !!!”

Texto em imagem de post no Facebook que, até às 17h de 15 de setembro, tinha mais de 1,7 mil compartilhamentos

VERDADEIRO

A informação analisada pela Lupa é verdadeira. Em meados de 2016, o preço do feijão da variedade carioca chegou a custar R$ 15 para o consumidor final em alguns estados, como Tocantins e Mato Grosso do Sul. Na época, Dilma estava afastada pela abertura do processo de impeachment. O vice-presidente Michel Temer (MDB) governava de modo interino. A alta foi provocada por questões climáticas, como o El Niño, que afetou as lavouras do Rio Grande do Sul, um dos principais produtores do país na época. Com menos oferta, o valor do alimento disparou.

A análise mensal de produtos da agropecuária feita pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostra que, naquele ano, o preço do grão bateu recordes no varejo em relação aos anos seguintes. A comparação do órgão baseou-se nos preços praticados em São Paulo.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes

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Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
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