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Foto: GOVESP
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#Verificamos: É falso que vacina chinesa contra Covid-19 provocou três óbitos em São Paulo

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
15.set.2020 | 16h20 |

Circula nas redes sociais uma captura de tela de um post que diz que uma mãe enterrou três filhos após eles tomarem a ‘vacina da China’ contra a Covid-19, em São Paulo. Segundo a publicação, a família tomou o imunizante porque ia viajar para o exterior. “Esse fim de semana os 3 passaram muito mal e foram internados às pressas. Hoje de manhã veio a notícia do óbito”, diz o post. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Minha amiga acaba de enterrar 3 filhos após tomarem a vac’na da Ch’na. Confirmado em SP Luto”
Imagem publicada em post no Facebook que, até as 14h do dia 15 de setembro de 2020, tinha sido compartilhada por mais de 120 pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Por meio de uma nota, o Instituto Butantan, que coordena no Brasil a terceira fase dos estudos da vacina da farmacêutica Sinovac contra a Covid-19, informou que é “irresponsável” e “totalmente inverídico” o post que afirma que três pessoas morreram após tomarem a dose do imunizante. A vacina ainda está em testes. Os voluntários que podem participar dos estudos clínicos são profissionais da saúde que atuam no combate ao coronavírus e têm idades entre 18 e 59 anos. Ou seja, nenhuma criança poderia ter recebido uma dose.

“O Butantan ressalta que todos os voluntários são monitorados pelos 12 centros de pesquisas e até o momento não foi reportado nenhum efeito colateral grave, muito menos óbito. Qualquer estudo sério é interrompido imediatamente assim que identificada qualquer anomalia”, diz o instituto, na nota. Na imprensa, tampouco há notícias sobre o caso mencionado na publicação do Facebook.

O perfil que originalmente publicou o post apresentou como provas as capturas de tela da conversa pelo WhatsApp que teve com uma pessoa da família. Ela teria informado a morte das três pessoas após terem tomado o imunizante (aqui e aqui). Entretanto, em nenhum momento é mencionado que a vacina era a da Covid-19. Também não aparece nenhuma data no post ou identificação das pessoas envolvidas na conversa.

Testes

Em julho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou os testes da vacina desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac no Brasil. A terceira e última fase dos estudos clínicos está sendo coordenada pelo Instituto Butantan e prevê o teste de 9 mil pessoas no país, em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. O Butantan afirmou que, até o momento, mais de 4 mil pessoas já receberam a primeira de duas doses da vacina da Sinovac.

A primeira e segunda fase de testes da vacina da Sinovac contaram com 743 voluntários no total, entre 18 e 59 anos, sendo 143 pacientes na primeira etapa e 600, na segunda. Ambos os estudos foram randomizados, duplo-cegos e controlados por placebo. A Sinovac informou que obteve 90% de êxito nos resultados ao induzir a produção de anticorpos neutralizantes nos voluntários.

Em 8 de setembro, uma outra vacina que está sendo testada contra a Covid-19, desenvolvida pela Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca, teve os estudos interrompidos. Segundo o portal americano especializado em saúde Stat, o CEO da empresa, Pascal Soriot, explicou em uma conferência com investidores que uma voluntária desenvolveu sintomas semelhantes aos de mielite transversa no Reino Unido, uma síndrome inflamatória na medula espinhal. Entretanto, os ensaios clínicos já foram retomados. A medida foi adotada após a confirmação pela Autoridade Reguladora da Saúde de Medicamentos (MHRA) de que era seguro continuar com os testes. A Anvisa também liberou a retomada dos testes no Brasil.

Informação similar foi checada por Aos Fatos, E-Farsas e Fato ou Fake.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes

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