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#Verificamos: Post sobre queimadas no Pantanal e Amazônia usa fotos antigas e de outros países

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
18.set.2020 | 19h19 |

Circula nas redes sociais um post com uma galeria de fotos de queimadas e animais feridos ou mortos. Segundo a legenda, os registros mostram a devastação provocada pelos incêndios que ocorrem neste momento no Pantanal e na Amazônia. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Isto está acontecendo tanto no Pantanal quanto na Amazônia! Isto é real!! Isto não te perturba!”
Legenda de imagem publicada no Facebook que, até as 13h do dia 18 de setembro de 2020, tinha mais de 2,7 mil compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O post que circula nas redes sociais mistura fotos atuais com registros antigos ou que não foram feitos na Amazônia ou no Pantanal. Das 12 fotos exibidas, metade não tem relação com as atuais queimadas que estão ocorrendo no Brasil.

A foto que exibe uma floresta em chamas (primeiro registro da terceira coluna) não é de agora. Por meio de uma busca reversa de imagens no serviço Tineye, o registro mais antigo é de 18 de março de 2013 e está cadastrado no banco de imagens Shutterstock. Entretanto, não há informações sobre o local exato da fotografia.

A imagem que mostra um cervo ao redor de um incêndio (a segunda na terceira coluna) é de outubro de 2003. A foto é de LaFonzo Rachal Carter, do The Sun, e foi feita em Devore, na Califórnia. Naquela ocasião, ao menos 14 incêndios florestais eclodiram no sul do estado. As chamas destruíram 3.710 casas e mataram 24 pessoas, segundo a publicação.

Já as quatro fotos do último quadrado (localizadas na terceira coluna, à direita) tampouco são atuais. Pelo menos três delas já foram usadas em outra peça de desinformação verificada pela Lupa no ano passado, sobre incêndios na Amazônia.

O primeiro registro, que mostra um animal no chão ao lado de uma floresta acabada pelas chamas, foi publicado em um blog chamado Amo a Natureza, em abril de 2012. Entretanto, não há informações da autoria e do lugar.

A imagem que mostra um animal fugindo de um campo em chamas foi registrada pelo fotógrafo Silva Júnior, da Folhapress, em 17 de agosto de 2011. De acordo com a legenda, o que se vê é uma queimada em um canavial na cidade de Sertãozinho, no interior de São Paulo.

Já a foto da onça pintada que aparece ferida circula na internet pelo menos desde agosto de 2016, em uma reportagem do portal Rondônia 24h e em uma montagem em post do portal Gente de Opinião. Na publicação, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) alertava para os riscos de atropelamento de animais no estado de Rondônia, por conta do tempo seco e das queimadas que ocorriam na época. Os dois sites identificam a assessoria de imprensa da PRF como autora do texto.

Por último, a imagem com um tamanduá morto aparece em uma publicação de um blog, em maio de 2011. A legenda informa tratar-se de uma vítima de uma queimada ilegal por uma usina sucroalcooleira, que teria efetuado a queima da palha da cana de açúcar em uma área de 30 hectares sem licença do órgão ambiental.

Fotos atuais

As três fotos da primeira coluna (à esquerda), que mostram incêndios em florestas, fazem parte de uma galeria publicada no Instagram, em 30 de agosto, pelo fotógrafo Ernane Junior. Segundo o autor, elas foram feitas na rodovia Transpantaneira, no Pantanal.

A imagem de uma onça pintada que aparece na primeira foto da segunda coluna do post foi registrada pelo fotógrafo Ailton Lara, em 11 de setembro. A publicação diz que o animal estava sendo resgatado da área em chamas. A região fica perto do Parque Estadual Encontro das Águas, em Porto Jofre, local habitado pela maior quantidade de onças pintadas do mundo, diz o texto.

A outra foto que mostra uma jaguatirica deitada à beira de uma estrada (segunda foto da segunda coluna) é do fotógrafo João Paulo Guimarães, da Repórter Brasil. A legenda da imagem, publicada numa reportagem em 10 de setembro, diz que o registro foi feito perto do Poconé (MT).

Já a última foto da segunda coluna, de um corpo queimado de um jacaré, foi publicada numa reportagem sobre a devastação das queimadas no Pantanal mato-grossense, em 9 de setembro, pelo site A Lente, em parceira com o Mídia Ninja. “À beira da rodovia é possível visualizar jacarés, cobras, jabutis e muitas espécies que não conseguiram se salvar”, diz trecho do texto.

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Enquanto o governo Bolsonaro só reduz verbas para brigadas, diminui a fiscalização de crimes ambientais e sugere “passar a boiada”, frente parlamentar ambientalista toma uma atitude. #repost @prof_rosaneide Deputados e deputadas federais da Frente Parlamentar Ambientalista e senadores e senadoras farão diligência a partir de sábado (19) no Pantanal de Mato Grosso, na região de Poconé. A decisão foi tomada nesta segunda-feira (14), em reunião virtual da Frente, que foi coordenada por mim e pelo deputado federal Nilto Tatto (PT-SP). O encontro reuniu mais de 59 pessoas, entre autoridades estaduais, federais, ambientalistas, pesquisadores e moradores do bioma. Quase 20% da área do bioma já foi varrido pelo fogo, dizimando a fauna e a flora e as chamas seguem sem controle, por isso a necessidade urgente da união de esforços das autoridades nos três níveis e de toda sociedade pelo combate aos incêndios e por planejamento e prevenção. Siga @casadasredesninja e acompanhe notícias da Capital federal, Pantanal e Cerrado central do Brasil #SOSPantanal #PantanalEmChamas #meioambiente #fauna #flora #matogrosso

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Incêndios

Dados consolidados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que o bioma Pantanal registrou 15.835 queimadas de 1º de janeiro até 17 de setembro deste ano, contra 5.233 no mesmo período do ano passado – um aumento que representa mais de 202%. Os incêndios vêm se alastrando com mais força desde meados de julho.

Em relação à Amazônia, os dados do Inpe mostram também que houve um aumento no número de focos de calor no bioma, de ao menos 13,2%, comparando os dados entre 1º de janeiro a 17 de setembro deste ano, com o mesmo período de 2019.

Conteúdo similar foi verificado por Aos Fatos e Estadão Verifica.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes

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CONTRADITÓRIO
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SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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