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Foto: Reprodução, The Washington Post
Foto: Reprodução, The Washington Post

No Epicentro: em parceria com a Lupa, Washington Post lança ferramenta nos EUA

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
25.set.2020 | 11h47 |

O jornal americano The Washington Post lançou na última quinta-feira a ferramenta At the epicenter, a versão de No Epicentro nos Estados Unidos. A ferramenta de visualização de dados original, lançada em 24 de julho, foi concebida e desenvolvida pela Agência Lupa no Brasil com o apoio do Google News Initiative, que também participaram da parceria com o Post. 

O projeto do gigante de mídia americano foi feito pela mesma equipe responsável por No Epicentro: o jornalista de dados Rodrigo Menegat, o desenvolvedor Tiago Maranhão e o designer Vinicius Sueiro, também com a supervisão de um dos maiores especialistas em projetos de visualização de dados do planeta, o professor da Universidade de Miami Alberto Cairo.

Assim como na versão brasileira, leitores americanos poderão inserir seu endereço na tela inicial e observar o impacto caso todos os mortos por Covid-19 nos Estados Unidos fossem seus vizinhos. Atualmente, o número de mortos pelo novo coronavírus no país passa de 201 mil e o de contaminados chega perto de 7 milhões.

“O grande número de mortes causadas por Covid-19, como acontece com outras tragédias, acaba sendo abstrato, e as pessoas ficam insensíveis a ele. Mas é mais fácil entender o que são 200 mil pessoas se você as considerar seus vizinhos. Se você vir até onde vai o círculo e, mais tarde, pegar o carro para ir ao supermercado, vai perceber que todas as pessoas que você vê ao redor, que vivem nas casas que você vê, estariam mortas se todas as vítimas da Covid-19 fossem colocadas juntas. Qualquer coisa que ajude o leitor a entender melhor a tragédia que a doença é para os EUA e o mundo é algo que queremos oferecer aos leitores”, diz Chiqui Esteban, diretor de infografia do The Washington Post.

A versão americana de No Epicentro chega aos leitores dois meses depois do lançamento no Brasil. A motivação do Post foi a mesma da Lupa: trazer consciência sobre os números de mortos, que, aos poucos, foi perdendo o aspecto humano que nos deixaria indignados. O Post fez a mesma pergunta feita pela Lupa: “E se todos os mortos por Covid-19 fossem seus vizinhos?” (“What if all Covid19 deaths in the United States had happened in your neighborhood?”, em inglês). Assim, o produto de visualização colocou o leitor no centro da epidemia, simulando como ficaria sua vizinhança se todos os mortos pela doença se concentrassem ao seu redor. 

 No site americano, o usuário também é convidado a inserir seu endereço e dar início a uma narrativa que reconta a evolução da Covid-19 no país. A ferramenta brasileira levou em consideração os dados registrados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a concentração populacional no Censo 2010. No caso americano, a estimativa populacional usada foi a da American Community Survey de 2018. Ainda que o resultado da simulação não seja um reflexo exato da realidade, colocar todas as vítimas do novo coronavírus “ao lado” do usuário é uma forma de aproximar a tragédia da percepção de cada um.

“A maioria das pessoas, inclusive eu, tem dificuldade em interpretar números: vemos que morreram dezenas de milhares de pessoas, mas é difícil dar um significado a isso. O número cria uma distância entre nosso entendimento e a experiência de cada vítima e das famílias que sofrem com a perda. E se fosse possível apresentar números frios de um jeito pessoal? E se falamos ao leitor: para ver o tamanho da catástrofe, pense que todos os mortos morassem na sua vizinhança. No Epicentro, da Lupa, e agora o At the Epicenter, do Washington Post, são isso. Fazem com que os números frios sejam pessoais e próximos, dando uma dimensão humana à tragédia”, explicou Alberto Cairo, que fez a direção de arte dos dois trabalhos e acompanhou a produção no Brasil e nos EUA.

O No Epicentro é uma ferramenta de visualização de dados desenvolvida em código aberto, o que facilitou a implementação no Post. O fato de os mesmos integrantes da equipe de desenvolvimento escolhida pela Lupa terem liderado o projeto no jornal americano garantiu que a ideia mantivesse seus prumo e objetivo originais.

“Nossa ideia sempre foi conscientizar as pessoas e gerar empatia. A opção pelo código aberto foi justamente para permitir que isso não ficasse restrito ao Brasil. O apoio do Google News Initiative foi fundamental para expandir e chegar ao Post. Nós não poderíamos estar mais satisfeitos com essa parceria. No epicentro e At the epicenter nos expõem a uma narrativa dura, porém necessária em momentos como este, de negacionismo e confusão. Contar com o Post nesta empreitada é um orgulho para a Lupa“, disse Natália Leal, diretora de conteúdo da Lupa e gerente editorial de No epicentro.

“Obrigado à Lupa pelo incrível trabalho. Realmente ajuda os leitores. Os perfis das vítimas ajudam a compreender o peso de uma morte, duas mortes, dez mortes. Mas você não pode multiplicar mentalmente isso por 100 mil ou 200 mil e entendê-lo facilmente. Esta ferramenta interativa ajuda a fazer esse trabalho”, finaliza Esteban.

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