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Reprodução: Instagram CURA https://www.instagram.com/cura.art/
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#Verificamos: Instalação de cobras infláveis em Belo Horizonte não tem ligação com a China

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
28.set.2020 | 17h33 |

Circula pelas redes sociais que a instalação de cobras infláveis no viaduto Santa Tereza, em Belo Horizonte (MG), seria uma iniciativa do prefeito Alexandre Kalil (PSD) e teria como objetivo enfeitar as ruas da cidade para uma suposta “comitiva chinesa”. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Este é o Viaduto Santa Teresa em BH.
A cultura chinesa já chegou em BH? Explico:
O dinheiro para o #ForaKalil manter tudo fechado e quebrar empresas chegou antes. Daqui uns poucos dias chegarão ao Brasil cerca de 800 chineses para comprarem empresas quebradas a preço de banana.
Negócio da China não?
Kallil já está enfeitando as ruas da cidade para a comitiva passear e se sentir em casa.
Mas, cá entre nós, que símbolo representa melhor a TRAIÇÃO em nossa cultura do que um cobra, não é?”
Texto em imagem no Facebook que, até às 15h do dia 28 de setembro de 2020, tinha sido compartilhado por 328 pessoas.

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A instalação artística não foi colocada no viaduto pela prefeitura de Belo Horizonte, e não tem relação alguma com a China. A obra, denominada “Entidades”, integra a programação da 5ª edição do festival Circuito Urbano de Artes (Cura) e tem inspiração na arte indígena. O autor é o artista plástico roraimense Jaider Esbell.

“Convidamos o Jaider, que é considerado um dos maiores nomes da arte contemporânea indígena, para criar uma obra inflável nos arcos do viaduto Santa Tereza, que é um ícone arquitetônico de Belo Horizonte”, disse Juliana Flores, uma das idealizadores do projeto, por telefone. 

De acordo com ela, o artista trouxe a ideia da cobra que na simbologia indígena e brasileira têm uma força de cura. “Acho que traz as energias que um ano como esse precisa”, afirmou Juliana. 

A idealizadora explicou ainda que esta edição do Cura foi financiada via leis de incentivo à Cultura. “O projeto foi aprovado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, com captação pelo Instituto Unimed, pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura, com captação pela Ambev (Beck’s Brasil), e pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, com captação pela Uber e a Cemig”. 

A prefeitura declarou, em nota, que o projeto foi aprovado na Política de Fomento à Cultura Municipal e que a intervenção “Entidades” foi autorizada pelo Conselho Deliberativo de Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. 

Nota: esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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