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Foto: GOVESP
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#Verificamos: É falso que vacinas contra a Covid-19 alteram material genético do ser humano

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
29.set.2020 | 18h59 |

Circula pelas redes sociais que as vacinas produzidas para combater a Covid-19 podem interferir diretamente no material genético do ser humano, provocando mutações. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

Uma catastrófica análise sobre as vacinas contra o vírus chinês: ‘interferem diretamente no material genético’”
Texto produzido pelo site Jornal da Cidade Online que, até às 17h40 do dia 29 de setembro de 2020, tinha sido compartilhado por mais de 56 mil pessoas no Facebook

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. As vacinas da Covid-19 não alteram o material genético do ser humano, ao contrário do que afirma a publicação original e o respectivo vídeo mencionado. A vacina chinesa citada especificamente no texto do Jornal da Cidade Online é feita a partir do vírus inativado, a tecnologia mais tradicional para a produção de imunizantes.

As chamadas vacinas de plataforma RNA, uma tecnologia relativamente nova que ainda não foi aprovada para uso comercial, não alteram o código genético do ser humano. Na verdade, o chamado RNA mensageiro, ou mRNA, interage com as células humanas e permite que elas produzam proteínas específicas de um patógeno – que passam a ser reconhecidas pelo sistema imunológico. Contudo, ela não tem qualquer efeito no DNA da célula.

“As vacinas não modificam nem o nosso mRNA, nem o nosso código genético, de forma alguma. O que elas fazem é provocar uma resposta imunológica do organismo frente àquele corpo estranho (vírus), sem riscos de alterações genéticas”, declarou o médico Gilmar Reis, que também é professor do Departamento de Medicina da PUC Minas e autor de um projeto de pesquisa sobre medicamentos para a redução de complicações em pacientes com a Covid-19.  

De acordo com Gilmar, manipulação genética seria pegar, por exemplo, o núcleo de uma célula e colocar em outra. “[Isso] não ocorre com as vacinas, visto que elas atuam no sistema imunológico para impedir ou retardar a chegada do vírus às células e, portanto, não provocam modificações no código genético das pessoas”.

Esse processo permite que vacinas sejam produzidas sem o uso do patógeno causador da doença, em versão atenuada ou inativada, como nas vacinas de tecnologia mais tradicional. Isso, em tese, permite a produção de imunizantes mais baratos e mais seguros. Contudo, nenhuma substância produzida a partir dessa tecnologia chegou a fase de comercialização.

Essa tecnologia é apenas uma das muitas plataformas que estão sendo usadas em vacinas contra a Covid-19. Das 10 vacinas que estão, atualmente, na terceira fase de testes clínicos, apenas duas, uma desenvolvido pelo laboratório Moderna e outro pela BioNTech com a Pfizer, usam essa tecnologia. 

A vacina chinesa Coronavac, do laboratório Sinovac, é mencionada no texto publicado pelo site Jornal da Cidade Online, mas ela é produzida a partir do vírus inativado – a tecnologia mais tradicional de produção de vacinas.

Nesta segunda-feira (28), a Lupa verificou outro conteúdo falso que afirmava que vacinas provocam alterações no DNA. Em julho, a Lupa checou outra informação falsa sobre este tema, reiterando que as vacinas sobre plataformas de DNA ou RNA não alteram o código genético de células humanas.

Nota: esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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